Conheça a economia criativa

E saiba onde a criatividade vira negócio

PÂMELA OLIVEIRA

Já pensou em fazer da criatividade um negócio? Em transformar a sua imaginação em bens ou serviços rentáveis? Teve gente que pensou e hoje vive bem (muito bem, obrigada) com a receita gerada por seu próprio capital intelectual. São essas pessoas que movimentam a economia criativa.

Uma definição

O Plano da Secretaria da Economia Criativa* (Ministério da Cultura) dá a definição: “Os setores criativos são aqueles cujas atividades produtivas têm como processo principal um ato criativo gerador de um produto, bem ou serviço, cuja dimensão simbólica é determinante do seu valor, resultando em produção de riqueza cultural, econômica e social”.

Em outras palavras: uma roda de samba com os amigos só é considerada um produto da economia criativa se alguém gera receita com ela. O mesmo vale para as demais atividades que são, na essência, ricas em criatividade e cultura. Um aplicativo desenvolvido por um programador, uma boneca de pano feita por um artesão, uma campanha criada por um publicitário etc.

É também do mesmo documento este trecho que ressalta a importância da dimensão simbólica do produto na economia criativa: “Tomando-se como exemplo a pintura, verifica-se que a expressão artística associada à técnica do pintor, representada na tela, corresponde ao cerne do seu valor cultural e econômico, indo muito além dos materiais (tela, tintas, pincéis etc.) utilizados para sua produção”.

[Economia criativa Crédito: Getty Images

Para as pessoas, para o estado

A economia criativa não é boa só para quem dela vive. O estado, como um todo, também tem muito a ganhar com essa produção.

Para Janaína Ruffoni, professora do Programa de Pós-Graduação em Economia da Unisinos, a formação e a ação empreendedora da população, com foco no empreendedorismo intensivo em conhecimento, contribui para a cidadania ao aumentar a inserção social. Também deve ser benéfica para a atividade econômica, gerando emprego e renda.

“O processo de aprender a fazer negócios, de experimentar a produção e o consumo de produtos distintos e de conviver com diferentes aspectos culturais proporcionais por negócios criativos é fundamental para o desenvolvimento de uma cidade, de uma região”, analisa Janaína. “O ponto central está em vincular os novos negócios intensivos em conhecimento a um projeto mais amplo para a cidade, algo que estimule e desenvolva essas atividades de forma contínua. E, principalmente, que se possa, a partir disso, encontrar formas diferentes e mais agregadoras de valor (econômico e social) para as atividades econômicas e sociais do local.”

Ponto de encontro da criatividade

Uma amostra da produção criativa do estado encontra-se na Open Feira de Design – que, aliás, terá mais uma edição especial no Espaço Unisinos, em Porto Alegre, no sábado, 23 de junho.

Rúbia Witeck é uma das pessoas que fazem a economia criativa girar. Estudante de Moda da Unisinos, ela fundou a marca de roupas Kamona para “pessoas reais que consomem com consciência”, como Rúbia define.

A aluna estará no evento do dia 23. “Decidi expor pois é uma forma de mostrar o que eu estou construindo durante minha formação e porque a feira é no ambiente da Unisinos! É a segunda vez que exponho, a primeira foi um grande aprendizado”, conta.

Rúbia acredita que a economia criativa tem futuro e que a Open é “um lugar onde podemos ver isso na prática”. Tanto que a estudante tem planos de – e está agindo para – fazer da Kamona sua principal fonte de renda.

Bate e volta

Para sintetizar o que é a economia criativa, conversamos ainda com a professora Cristiane Schnack, coordenadora do MBA em Mercados Criativos da Unisinos, e pedimos para que ela completasse nossas frases. Confira as respostas:

A economia criativa é... em essência, uma maneira de enxergar a organização da sociedade enquanto um coletivo via negócios humanizados e humanizadores, e que estabelece conexão horizontal entre diversas áreas do conhecimento.

Para ser considerado criativo, um negócio precisa… conectar as pessoas às suas próprias essências criativas.

São exemplos de negócios criativos… os negócios que humanizam as pessoas e despertam seu potencial inerentemente criativo.

A indústria criativa transforma Porto Alegre ao… organizar-se em torno das pessoas, transformando-as.

Em relação ao desenvolvimento socioeconômico do país, a indústria criativa… organiza-se a partir do protagonismo das pessoas, resgata a sua humanidade, o que possibilita que as pessoas desenvolvam o seu país.

*Plano da Secretaria da Economia Criativa – SEC – Políticas, diretrizes e ações 2011 a 2014. Ministério da Cultura.