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Matheus Chaparini debate liberdade de imprensa na Unisinos

De um modo geral, a rotina de jornalista é a mesma sempre. Vai para a redação, produz a pauta, vai para a rua cobrir algum acontecimento, volta e escreve a matéria. Nem sempre nessa ordem. Porém, não foi assim para o repórter Matheus Chaparini, do Jornal Já, no dia 15 de junho. Ele foi detido durante a desocupação da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) e mantido preso por 14 horas. Naquele mesmo dia, participou de uma coletiva de imprensa no Colégio Estadual Paula Soares, relacionada às ocupações das dezenas de escolas de Porto Alegre. Sem respostas do governo, os manifestantes partiram para o prédio da Sefaz, onde aconteceu a ação dos policiais.

Com o início do semestre na Unisinos, Chaparini foi um dos convidados para a aula inaugural do curso de Jornalismo na noite da última segunda-feira (22), com o tema “Cobertura Jornalística e Responsabilidade Cidadã”. Na mesa de debate, mediada pelo professor de Jornalismo Pedro Osório, também estavam o professor de Direito Leonardo Grison, o diretor de relações internacionais da Fenaj, José Nunes, e o presidente do Sindjors, Milton Simas.

Inicialmente, o repórter do Jornal Já contou todo o caminho percorrido da Sefaz até o Presídio Central. “Eu acompanhei as ocupações desde o início pelo jornal. Mesmo me identificando como jornalista para os policiais, me levaram para a delegacia e, de lá, no camburão, me levaram para o Central”, lembra Chaparini. Os menores que estavam no local foram liberados pela polícia, mas os dez maiores de idade respondem por dano ao patrimônio público e desobediência. “Queriam que eu estivesse do lado de fora junto com os outros repórteres da grande mídia. Quanto mais próximos estivermos dos acontecimentos, melhor é a cobertura jornalística”, exaltou.

chaparini“Não é um caso isolado. A liberdade de imprensa e de expressão têm que ser defendidos. Tivemos o caso do fotógrafo que ficou cego após levar um tiro de bala de borracha no olho e acabou sendo o culpado por estar ali, exercendo a profissão”, desabafou para as dezenas de alunos que estavam no auditório Pe. Bruno Hammes. Ele ressaltou o amparo da categoria na ocasião. “Tive todo o apoio de colegas jornalistas e o sindicato, desde o início, se colocou à disposição, afirmou o repórter. Entretanto, ele lembra que o país está há mais de 30 anos num regime democrático e este tipo de atitude dos militares ainda acontece.

“Se tu fores um taxista e pegar um passageiro e ele pedir para que tu esperes na frente do local enquanto ele vai traficar, o taxista não pode ser preso em flagrante. O mesmo vale para jornalistas ou qualquer outro profissional em exercício”, comentou o professor Grison. Ele também apontou a a problemática através da diferença entre os veículos de comunicação. “Se fosse um repórter da grande mídia, talvez o tratamento fosse outro. Ele se identificou o tempo todo como jornalista e mesmo assim foi levado por ‘estar junto’. Isso é preocupante para a nossa democracia”, pontuou.

Para Milton Simas, ninguém deve definir onde o repórter tem que estar durante o acontecimento. “Não é a Brigada Militar, a Polícia Civil ou qualquer outra pessoa que tem que dizer aonde devemos estar numa cobertura jornalística. O policial teve a cara de pau de dizer que o Matheus estava no lugar errado”, opinou o presidente do Sindjors, lembrando que o edifício da Sefaz é um prédio público. Segundo ele, direitos humanos também foram feridos com a demonstração de intolerância dos brigadianos ao jogar spray de pimenta na cara dos manifestantes.

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Matheus Chaparini, já quando o microfone abriu para perguntas dos alunos, apresentou um olhar curioso sobre o que havia acontecido. “Até aquele dia, só tinha entrado num presídio para alguma pauta. Nunca imaginei passar por essa situação no trabalho. A cela era fria e a comida era ruim. Os policiais do Central faziam piadinhas homofóbicas e pressão psicológica sobre o que nos esperava lá dentro”, relatou.

Num momento da palestra, um aluno questionou sobre a imparcialidade no jornalismo e Chaparini foi categórico e direto. “A única coisa neutra que existe é o sabão. O jornalista tem a liberdade de cobrir da forma que ele achar que deve. A partir do momento em que tu decide ser ‘imparcial’ já está se posicionando politicamente. Isso não existe”, respondeu o repórter.

Fotos: Mariana Dambrós

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