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Caco Barcellos fala sobre violência escondida atrás de estatísticas

“Não sei se a imprensa finge que não vê ou se, de fato, esconde as mortes nas periferias”. Sem meias palavras – e com um discurso de alguém que convive de perto com a violência – Caco Barcellos falou, nesta quarta-feira, 16, para estudantes, professores universitários e profissionais de comunicação, na terceira edição do Em Pauta ZH.

O repórter, que está à frente do programa Profissão Repórter, destacou o papel da imprensa frente a situações de vulnerabilidade social e a importância da apuração e da credibilidade do profissional. “No ano passado, foi divulgado que mais de mil pessoas foram mortas no Estado, mas a gente sabe que esse número é muito superior, isso porque a imprensa muitas vezes não se preocupa com aquele favelado que foi morto pela polícia, talvez injustamente”, destacou.

Ele ressaltou ainda que a imprensa têm legitimado os antecedentes criminais, ou seja, a “passagem” pela polícia, como um motivo para matar alguém. “Se algum dia você cometeu algum deslize, está legitimado à morte, claro se você é pobre, mas se você é um executivo e desvia R$ 400 mil, então nada vai acontecer”. Caco falou sobre uma minoria privilegiada, cujos crimes não são noticiados pela imprensa e questionou o posicionamento do jornalista, que muitas vezes está condicionado ao sistema, sendo pautado por uma elite politizada.

Apuração e compromisso com a notícia

Dizendo-se pouco preocupado em ser exclusivo nas reportagens, Caco afirma que é importante apurar a informação, de forma que seja a mais correta possível. “Prefiro ser visto como lerdo do que contar uma mentira. Não adianta contar primeiro. Tem que contar melhor”, ressaltou. Para ele, não são os jornalistas que devem fazer juízo de valor sobre o que acontece. “Eu procuro provar com ações que levam o meu telespectador a fazer juízo daquele crime, quem tem que dizer se é covardia ou não é quem está assistindo”.

É preciso estar na rua

“Por que a imprensa apoiou a guerra no Iraque, mas terminou com a guerra no Vietnã? Éramos pessoas do povo, com olhar sofredor do povo, hoje viramos sistema”. Com essa frase o jornalista pontuou que hoje em dia o repórter tem deixado de estar na rua, próximo do povo, para ter acesso privilegiado e fazer uma cobertura de guerra dentro de um tanque.

Caco narrou um caso no Rio de Janeiro em que um ônibus foi incendiado. “Hoje vemos uma imprensa que quando sabe de um ônibus incendiado noticia somente que vândalos incendiaram um ônibus, mas não procuram saber o que levou essas pessoas a fazer isso”, relata.

Ele salientou ainda que “talvez aquele ônibus tenha sido incendiado porque novamente um jovem foi morto brutalmente pela polícia, e incendiar um ônibus foi a única forma de chamar a atenção da imprensa que nunca noticia esses fatos”, ponderou, lembrando ainda que se o trabalho do repórter tem alguma importância é o de fazer história e oferecer informação qualificada à sociedade e a outros jornalistas, formadores de opinião.

Jornalismo e as redes sociais

Quando questionado sobre o impacto das redes sociais no futuro do jornalismo, Caco Barcellos enfatizou que há uma quantidade muito grande de pessoas que acessa essas mídias para emitir juízos, e que aí é fundamental a ação do repórter nesse momento. “Vejo o nosso trabalho como separador, ou seja, narrar as notícias de forma eficaz, que é a nossa função primeira”.

Texto e foto: Bruna Mattana

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