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Alunos de Design de Produto criam ideias de brinquedos em aula

Estudantes da Graduação em Design de Produto, atividade acadêmica Projeto de Produto IV, desenvolveram ideias de brinquedos em parceria com a Brinquedos Junges, uma empresa focada em brinquedos de madeira, jogos educativos e artigos de diversão e esportes.

O desafio da atividade era criar o conceito de um brinquedo a partir da demanda de uma empresa real, que, nesse caso, era o de repensar os brinquedos tradicionais na era contemporânea. De acordo com a professora da disciplina, Maura Flores, essa proposta de ensino é multidisciplinar e dialoga com vários campos do conhecimento. Além disso, “é importante, porque enfatiza as características do curso de Design de Produto de estar próximo às indústrias e fazer com que os alunos tenham experiências reais de projeto”.

Para subsidiar o desenvolvimento das ideias, a turma fez uma visita à Junges, na qual conheceu produtos e métodos de fabricação disponíveis e entendeu o público consumidor, a comunicação e os canais de distribuição. A partir disto, seguiu metodologias de teóricos do Design de Produto, passando por várias etapas para garantir o alinhamento do projeto à necessidade da empresa.

Os estudantes também pesquisaram empresas concorrentes da Junges, o público infantil junto a especialistas e instituições que são referências mundiais na área de brinquedos. Com base na análise dos dados obtidos, criaram conceitos de produtos para serem testados e construídos enquanto protótipos.

As ideias apresentadas estão nas mãos da Junges, para que ela possa avaliá-las como viáveis ou não para a produção. Caso algum projeto seja escolhido, o aluno responsável receberá uma contrapartida da empresa parceira.

Um brinquedo, incontáveis possibilidades

A aluna Lis Henz desenvolveu o Engenheiro Criativo, um brinquedo que ganha vida a partir da imaginação da criança e que, justamente por isso, não se finda em termos de possibilidades de uso. Colega de Lis, Leandro Mohr inventou uma pista de corrida para bolinhas de gude chamada RacerBall, que estimula a brincadeira em grupo.

Na entrevista a seguir, eles contam como foi a concepção da ideia, o processo criativo e a experiência em geral. Confira:

 

Fique Sabendo: Que brinquedo você desenvolveu?
Lis: Criei um brinquedo que denominei Engenheiro Criativo. Ele foi inspirado no jogo conhecido como ‘engenheiro’ ou ‘construtor’. Por sua vez, o Engenheiro Criativo é um brinquedo para crianças de 2 a 7 anos, que favorece a imaginação e permite que elas criem outros brinquedos. Corresponde a um conjunto de 12 peças, de 3 formas geométricas diferentes. As peças são revestidas com tinta fosca preta (como um quadro negro), acompanhadas de um giz. O brinquedo possibilita que as crianças criem novas formas e desenhem nelas, dando sentido à imaginação. Depois podem apagar os desenhos (com um pano umedecido na água), recriar as formas e desenhar novamente. As peças são acomodadas em uma uma caixa com rodinhas que pode ser conduzida pela criança por meio de um cordão, como se fosse um carrinho.
Leandro: O brinquedo desenvolvido chama-se RacerBall. Resumidamente, trata-se de uma pista de corrida para bolinhas de gude. Ele é montado a partir de segmentos que se encaixam para formar a pista. Para que a pista funcione, é necessária a utilização de apoios, fazendo com a pista fique inclinada, impulsionando as bolinhas. Esses apoios também foram fabricados, mas não são necessários, uma vez que a pista pode ficar apoiada sobre outros objetos. Nesta versão, foi idealizada a utilização simultânea por dois jogadores.

Fique Sabendo: Quais conceitos usou na criação?
Lis: A principal ideia do brinquedo foi aliar a criatividade das crianças de hoje, que acessam jogos e brinquedos eletrônicos, com um brinquedo antigo, confeccionado com uso de materiais como madeira. O Engenheiro Criativo é como um quadro negro, como uma folha em branco. Ele ganhará vida a partir da criatividade da criança. Ela tem um papel ativo na utilização do brinquedo, pois pode criar inúmeros objetos, com diversas funções e expressões. Pode projetar uma cidade, formar um animal, contar uma fábula. A ideia inicial era que as crianças pudessem projetar pequenas cidades, formando e desenhando portas, janelas, telhados e chaminés, entre outras formas. Porém, durante a validação do brinquedo, com uma criança de 6 anos, as possibilidades se ampliaram para além do esperado. A criança não se limitou a ideia de formar um único objeto ou cenário, mas passou a criar inúmeras formas e desenhos. Transformou o brinquedo em um universo de possibilidades como fábulas, monstros, borboletas, gatos, carros e outros objetos.
Leandro: O conceito do brinquedo parte da ideia de brinquedos de madeira conhecidos, no exterior, como quadrilha ou marble run, mas que possam ser utilizados simultaneamente por mais de uma criança. Também se somam a este conceito as ideias de autorama, hotwheels, bolinhas de gude e jogos/brincadeiras coletivas.

Fique Sabendo: Como foi o processo criativo, de modo geral?
Lis: Na primeira etapa do processo, foram realizadas pesquisas em grupo. Uma pesquisa exploratória sobre a empresa para a qual seria projetado o brinquedo, levando em conta sua atuação, comunicação, concorrentes, produtos, materiais e processos. Depois, uma pesquisa de benchmark e alguns estudos de caso. Na segunda etapa do processo, comecei a ter as primeiras ideias de produtos, os concepts iniciais. Depois, juntamente com a professora e os representantes da empresa, optei pela produção do Engenheiro Criativo. Posteriormente, iniciei o projeto. Estudei os processos e materiais necessários para confeccionar o produto. Em seguida, realizei a prototipagem, as modelagens virtuais, os desenhos técnicos. Por fim, fiz a validação com uma criança e também produzi o material de comunicação do produto.
Leandro: O processo criativo foi realizado, inicialmente, através da revisão do universo infantil e do brincar. Conhecemos a Junges Brinquedos através de visitação e de pesquisas sobre seu material. Investigamos outras empresas nacionais e internacionais do ramo de brinquedos, além de designers de referência neste mercado. Tivemos contato com psicopedagogas e outros profissionais da área da educação infantil e, a partir daí, elaboramos os concepts baseados no conhecimento adquirido e na criatividade de cada um. Apresentamos eles nas formas de sketches e de documentação à Junges, que deu seu parecer. Geramos os reconcepts e protótipos e agregamos a documentação para implementar a ideia de “produto” (embalagens, comunicação, alternativas etc.). Validamos os protótipos junto a crianças e, na fase final, apresentamos os resultados à empresa parceira.

Fique Sabendo: Considerando que esta é a disciplina Projeto de Produto IV e que você já passou pela experiência de criação antes, como avalia a atividade?
Lis: Acredito que cada disciplina de Projeto de Produto, por semestre, é um desafio maior. Pode parecer simples projetar um objeto, todavia, a criação de um produto, a partir dessa disciplina é limitada por algumas exigências das empresas parceiras, como materiais e processo, por exemplo. Neste sentido, não há total liberdade para a criação, uma vez que você está projetando para certa empresa e que ela segue alguns padrões que devem ser levados em conta. Por outro lado, a empresa com a qual trabalhamos neste semestre em Projeto de Produto IV foi extremamente presente no processo criativo, dando retorno em cada fase do projeto, o que contribuiu para a qualidade dos trabalhos em geral.
Leandro: Através da experiência adquirida, foi possível ampliar nossa visão e entendimento sobre os processos gerais na elaboração de um produto até processos pontuais que dizem respeito a materiais e técnicas específicas.

Fique Sabendo: Há algo mais que considere importante citar?
Lis: Acredito que o mais importante do processo foi perceber que, por algum momento, eu limitei a minha criação e a criatividade das crianças, quando o que eu desejava era exatamente o contrário, ou seja, criar novas possibilidades. Desde o início, eu queria criar um produto que não se reduzisse a ele mesmo, mas os desdobramentos da ideia inicial só se realizaram a partir da validação com a criança. Assim, pude perceber o quanto eu estava presa a uma única possibilidade, enquanto o brinquedo amplia para um universo de possibilidades. O retorno da validação do produto foi fundamental para mostrar que o Engenheiro Criativo pode ser produzido e comercializado, com expectativas de aceitação no mercado de brinquedos. As crianças de hoje continuam dispostas a brincar!
Leandro: A Unisinos está de parabéns, pois tem fornecido amplas condições para um rico processo de aprendizagem: professores que têm muita propriedade sobre os assuntos tratados, recursos humanos, pedagógicos e físicos à disposição e a constante preocupação em repassar as novidades de cada área aos alunos, gerando conhecimento sobre as técnicas atuais e futuras em cada área.

Confira abaixo a galeria de fotos dos brinquedos:

Brinquedos produzidos por alunos de Design de Produto

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