Orientador da tese premiada de Adriana Braga, o professor José Luiz Braga, do PPGCC da Unisinos, avalia que a pesquisadora soube articular uma ampla percepção sobre o caso em estudo com proposições e reflexões para futuras abordagens.
Além do Prêmio Capes de Teses, Adriana conquistou o “The Harold Innis Award for Outstanding Thesis on Media Ecology 2007″, promovido pela Media Ecology Association, de Nova York. Para o professor Braga, as premiações reforçam a necessidade da busca pela qualidade e pelo rigor nos trabalhos de pesquisa desenvolvidos peplo PPGC. “Toda tese e toda dissertação devem ser expostas ao escrutínio de uma banca da qual participam pesquisadores externos a cada Programa de Pós-Graduação”, defende.
Confira a entrevista.
Na sua opinião, quais são os aspectos mais revelantes da tese da Adriana?
A Adriana fez um estudo de caso – muito abrangente, apreendendo múltiplas relações comunicacionais no blog analisado. Com base nessa percepção de indícios, soube articulá-los entre si, ao mesmo tempo tensionando as perspectivas teóricas (conhecimento estabelecido sobre os processos interacionais em blogs). Essa démarche, além de permitir o melhor uso das teorias disponíveis, não só faz avançar a percepção a respeito do objeto material, como justamente determina uma construção reflexiva, uma oferta de outros ângulos que podem ser eficazmente utilizados para a apreensão da realidade observada. Em síntese: além de ampliar a percepção sobre o caso específico em estudo – apreendendo muito bem suas regras internas e lógicas de funcionamento interacional; faz proposições de nível mais geral na forma de questões e modos de aproximação que podem ser adotados para outros objetos.
A tese da Adriana Braga venceu não só o Prêmio Capes como também o “The Harold Innis Award for Outstanding Thesis on Media Ecology”, no ano passado. Qual é a importância dos prêmios para o PPGC da Unisinos, na medida em que o tema é algo recente e ainda por ser explorado?
Como o tema faz parte, justamente, daquelas áreas e objetos novos e intrigantes, entendemos que a premiação serve como um indicador – para estudantes e pesquisadores do PPG – da importância de uma busca contínua de ampliação de qualidade, de seriedade de pesquisa, de rigor analítico e interpretativo. Aspectos que nosso PPG tem sempre procurado reforçar.
O prêmio nos informa que determinadas tendências de investigação encontram uma resposta para além do âmbito imediato (a linha, o PPG, a universidade). Essa busca de resposta (de sintonia e acolhimento), que vem junto com o expor-se a objeções, já se encontra, de modo geral, na premissa de que toda tese e toda dissertação devem ser expostas ao escrutínio de uma banca da qual participam pesquisadores externos a cada Programa de Pós-Graduação. As premiações, portanto, além de serem uma grata confirmação para o(a) próprio(a) pesquisador(a) sobre a seriedade de seu trabalho, confirmam também as buscas de direcionamento produtivo e renovador da linha de pesquisa e do PPG em que o trabalho pode ser desenvolvido.
Os dois prêmios da Adriana, um nacional, abrangendo toda a área de Ciências Sociais Aplicadas, e outro internacional, reforçam, em primeiro lugar, a qualidade da jovem pesquisadora. Em seguida, e através dessa contribuição, nossa satisfação de que ela tenha encontrado em nosso PPG um ambiente adequado para seu desenvolvimento.
As técnicas tradicionais de pesquisa respondem às demandas metodológicas geradas por estes novos ambientes virtuais? Quais são os desafios para o pesquisador?
Acho difícil distinguir entre “técnicas tradicionais” e técnicas “renovadoras”. Efetivamente, o que importa, em perspectiva metodológica, é a boa adequação entre os problemas que se colocam para a investigação e os métodos (parcialmente estabelecidos, parcialmente elaborados ad-hoc para uma pesquisa). Esse ajuste e essa renovação do olhar devem ser constantes em todas as pesquisas – ainda que seu objeto pareça “habitual” ou de longa existência. Mesmo um objeto já largamente estudado, que já recebeu formulações longamente elaboradas, deve ser tratado em uma investigação pelo conhecimento novo que deva desprender (pois se não o puder, é porque não merece ser investigado). Não é portanto a novidade material do objeto (no caso, os ambientes virtuais) que solicita uma constante renovação metodológica – mas sim o próprio esforço de gerar conhecimento novo e – idealmente – sempre mais preciso e complexo.
É claro que objetos novos têm a vantagem de colocar mais problemas – porque menos conhecidos. Mas em última análise, o que importa mesmo, em pesquisa, é a capacidade de gerar perguntas (de horizonte teórico e de especificidade investigativa) que solicitam tanto a investigação como os métodos que sejam assumidos/construídos. Este, portanto, é o verdadeiro desafio para o pesquisador – diante do seu objeto de interesse (qualquer que seja seu grau de complexidade ou novidade) ser capaz de gerar as perguntas “necessárias”.