Artigo da categoria ‘Eventos’

Postado por admin sabril - 3 - 2013 0 Comentário

Informamos a realização da Jornada Internacional de Pesquisa entre Pesquisadores do PPGCC da Unisinos e do Laboratoire de sciences de l’information et de la communication – Gresec, da Universidade de Grenoble, França. Coordenado por Isabelle Pailliart, o Gresec é responsável pela Cátedra da Unesco-Comunicação na França.

O evento ocorrerá dia 11 de abril, manhã e tarde, na sala Conecta – Unisinos.

O evento será em sistema de teleconferência. Serão apresentadas pesquisas em desenvolvidas no PPGCC-Unisinos e no Gresec. É um formato de aproximação e trocas entre os dois centros de pesquisa, visando aprofundar a cooperação iniciada no âmbito do projeto da Escola de Altos Estudos/Capes intitulado Midiatização, técnicas e tecnologias de
informação e comunicação.

Os trabalhos serão mediados por Bernard Miège (professor Emérito-Gresec) e Jairo Ferreira (PPGCC-Unisinos). Haverá tradução e transmissão simultânea do evento. Informar interesse em participar ao poscom@unisinos.br para receber orientações de participação presencial e online.

Participantes

França – pesquisador convidado
Ilya Kyria (National Research University – Higher School of Economics, Moscou), Professeur invité de la Chaire Unesco en communication internationale Tic et industrialisation du système d’évaluation scientifique

França – pesquisadores do Gresec
Adrian Staii
De l’information au travail. Une analyse croisée des logiques sociales, des modes d’organisation du travail et des dispositifs de médiation de l’information professionnelle

http://w3.u-grenoble3.fr/gresec/membres/staii.htm

Marie-Christine Bordeaux et Lise Renaud
Applications de « réalité augmentée » et visites patrimoniales

http://w3u-grenoble3.fr/gresec/membres/bordeaux.html

Maria Holubowicz
Les radios associatives à l’ère du web 2.0. L’exemple grenoblois

http://w3.u-grenoble3.fr/gresec/membres/holubowicz.htm

Bertrand Cabedoche
Évolution du rapport aux sources dans les médias traditionnels face aux usages sociaux innovants des Tic : jeux croisés des acteurs, usages et pratiques journalistiques, relatifs aux « révolutions arabes »

http://www.crisis-communication.net/2012/09/13/bertrand-cabedoche/

Isabelle Pailliart
Production de données et informations publiques : les enjeux locaux de «l’open data »

http://w3.u-grenoble3.fr/gresec/membres/pailliart.htm

Sylvie Boisnier-Bardou
Les villes et l’information via les Tic aux habitants sur le développement urbain durable

http://www.linkedin.com/pub/boisnier-bardou-sylvie/14/71/a64

Brasil – convidados
Serge Proulx (Convidado) -
Participer à l’ère numérique : une puissance d’agir fragile et paradoxale

Ana Paula Rosa –UFTPR (Convidada) e PPGCC-UTP.
Imagens totens: a fixação de símbolos nos processos de midiatização

Brasil – pesquisadores do PPGCC-Unisinos
Antônio Fausto Neto
Afetações da midiatização sobre as práticas jornalísticas

Beatriz Marocco
A prática jornalística e as figuras de controle e resistência das redações

João Ladeira
A comunhão de opostos: a ONU e suas interpretações sobre indústrias criativas

José Luiz Braga
O estudo de circuitos como espaço de apreensão de processos comunicacionais

Pedro Gilberto Gomes
A plurivocidade do conceito de midiatização.

Postado por admin sabril - 3 - 2013 0 Comentário

O PPG em Ciências da Comunicação convida para a Aula Inaugural de 2013, a realizar-se no dia 8 de abril, às 17 horas, no Miniauditório do Centro 3, a ser proferida pelo professor franco-canadense Dr. Serge Proulx, que abordará o tema:

Participer à lère numérique: une puissance dagir fragile et paradoxale
(Participar da era digital: um poder de ação frágil e paradoxal)

Resumo:
Em que sociedade nós vivemos? O que aconteceu com a promessa desta «sociedade em redes» associada à disseminação da internet? O que significa «participar ativamente» do desenvolvimento do mundo com as ferramentas digitais? Estas questões remetem à identificação das condições necessárias para o cidadão poder agir (empowerment) em um mundo altamente conectado. Proporemos uma estrutura para pensar a capacidade de agir distribuída entre atores com diferentes habilidades mobilizados para combater, participar das lutas e das conjunturas (heterarquia). Este cidadão
agentivity se baseia em diferentes meios técnicos disponíveis em uma determinada situação, recursos mobilizados em associação com outros atores e outros coletivos.

Em um contexto de transformação do universo digital (dispositivos mais inteligentes, importante poder invisível dos algoritmos embutidos nos dispositivos, surgimento das tecnologias digitais invisíveis) em que o poder de ação do cidadão aparece frágil e paradoxal, é hora de reconsiderar a dialética da alienação e da emancipação na época do
capitalismo cognitivo, assim como a problemática da apropriação individual e social das tecnologias da informação e comunicação.

* A conferência terá tradução simultânea e será transmitida on-line.

Serge Proulx é professor titular da École des médias, Université du Québec à Montréal (Canadá), professor associado do Télécom ParisTech (França), diretor do Groupe de recherche et Observatoire, sur les usages et cultures mediatiques (GRM) e co-diretor do Laboratoire de communication médiatisée par ordinateur (LabCMO). É autor de dezenas de obras, entre elas: Lexplosion de la communication. Introduction aux théories et aux pratiques de la communication (com Philippe Breton, Collection « Grands Repères », La Découverte, Paris, quatrième édition refondue, 2012, 376 p.); Usages
et enjeux des technologies de communication (com Francis Jauréguiberry), Érèspoche, Toulouse, 2011, 144 p.); Sociologia da comunicação, (com Philippe Breton), Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2002, 288 p.

Serge Proulx está na UNISINOS por conta da Escola de Altos Estudos/CAPES (projeto Midiatização, técnicas e tecnologias de informação e comunicação), e, de 15 a 19 de abril, ministrará o Seminário Mutação da comunicação: emergência de uma cultura da contribuição na era digital, também com tradução simultânea e transmissão on-line. As inscrições são gratuitas.  Informações: poscom@unisinos.br.

Postado por admin smarço - 1 - 2013 0 Comentário
semana da imagem unisinos

O grupo de pesquisa Audiovisualidades e Tecnocultura: Comunicação, Memória e Design (TCAv), junto com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, convidam para a submissão de resumos de trabalhos para os GTs da XI Semana da Imagem na Comunicação, a ser realizada nos dias 21, 22 e 23 de maio de 2013.

O evento terá o tema “Para entender as imagens: como ver o que nos olha?” e busca reunir estudantes e pesquisadores de diversas universidades que se dediquem à análise de imagens visuais, sonoras, audiovisuais, textuais, a fim de compartilhar experiências de abordagens metodológicas. Dentro do evento, os grupos de trabalho serão espaços privilegiados para a partilha de diversos olhares, buscando promover a experimentação e o reconhecimento de novas metodologias para abordagem das imagens contemporâneas.

Os GTs irão se debruçar sobre imagens que estão dispersas na cultura contemporânea. Mesmo quando se concentram em determinada área para fins específicos, os usos e apropriações que delas se fazem socialmente transbordam as fronteiras do habituado na área, permitindo a conexão de pessoas, tecnologias e outras imagens. Com a multiplicação de dispositivos para produzi-las, editá-las e compartilhá-las, e a diversificação de suportes em telas fixas e móveis, as imagens atravessam todas as dimensões da vida contemporânea. De outro lado, a hegemonia do olhar que acentuou durante tanto tempo o valor de exibição das imagens dá lugar à multisensorialidade: imagens que se constituem na interface com o usuário e seu toque, sua respiração, seu corpo, seu clique. O valor de uso tensiona o valor de exibição, pondo em trânsito as imagens e criando um ambiente de remixabilidade cultural mediada por softwares.

Esse fenômeno, difícil de compreender, demanda experimentação de novas abordagens daquilo que ainda podemos chamar de imagens, sendo que elas, tanto quanto os textos que vemos, resultam de códigos binários programados para serem vistos como uma coisa ou outra.

Da seleção e apresentação de trabalhos. Podem submeter propostas os pesquisadores que sejam mestrandos, mestres, doutorandos, doutores e pós-doutores, assim como alunos de graduação e graduados em cursos de Comunicação e afins.

Os interessados em se inscrever devem enviar resumos expandidos através do e-mail do evento: semanadaimagem@gmail.com. O prazo para submissões é até 10 de abril de 2013.

DOIS TIPOS DE TRABALHOS SERÃO ACEITOS

a) O primeiro deve se concentrar nas imagens pré-selecionadas por esta chamada de trabalhos e especificadas na descrição de cada um dos três GTs do evento. Assim, cada autor construirá sua análise, interpretação ou teorização particular a partir deste repertório comum, proposto pela organização da atividade. Neste caso, o texto deve especificar o modo de abordagem das imagens escolhidas e a metodologia a ser utilizada para a análise das imagens em questão.

b) O segundo comporta ensaios versando sobre o tema de cada GT específico ou sobre o tema geral do evento: “Para entender as imagens: como ver o que nos olha?”, possuindo, assim, um caráter mais amplo.
As propostas, contemplando a articulação entre os campos da comunicação e os mais diversos estudos da imagem, podem ser submetidas aos Grupos de Trabalho abaixo relacionados.

IMPORTANTE

Os resumos submetidos passarão por seleção para apresentação oral nos GTs e/ou publicação no livro da XI Semana da Imagem na Comunicação. Em caso de seleção para publicação, serão solicitados posteriormente shorts papers de até 12 mil caracteres. As normas de formatação serão enviadas aos autores cujos artigos sejam selecionados para a publicação.

 

 

GRUPOS DE TRABALHO

GT 1- Trata-se de uma seleção de cinemagraphs de filmes de cinema.

Acesse as imagens
http://cinemagraphcollection.com/cinemagraphs/tumblr_loa8s68rcy1qe0eclo1_r1_500.gif
http://cinemagraphcollection.com/cinemagraphs/tumblr_lcd1vaizMW1qe0eclo1_r7_500.gif
http://cinemagraphcollection.com/cinemagraphs/tumblr_li5uszybM11qe0eclo1_r3_500.gif
http://cinemagraphcollection.com/cinemagraphs/tumblr_ldvvy3QLJP1qe0eclo1_r7_500.gif
http://cinemagraphcollection.com/cinemagraphs/tumblr_ldtyt4PBGy1qe0eclo1_r2_500.gif

GT2- Audiovisual produzido na interface entre usuários, redes sociais, imagens de arquivo e softwares que operem a montagem imagética.
Acesse as imagens
http://www.takethislollipop.com/

GT 3- Imagens geradas por dispositivos computacionais.
Acesse as imagens
http://www.visualcomplexity.com/vc/

 

FORMATO DAS SUBMISSÕES

Todas as propostas devem incluir:

- Resumo expandido de no máximo 450 palavras.
- Título do resumo em Caixa Alta e negrito, fonte Times New Roman,
corpo 12 e espaço simples entre linhas;
- Nome do autor, vinculação institucional e principal formação acadêmica
- Email de contato, endereço completo de correspondência e telefone;
- GT ao que dirige sua submissão
- Texto do resumo em Times New Roman, corpo 12 e espaço 1,5 entre linhas.

IMPORTANTE: o envio do trabalho completo, de acordo com as normas de formatação que serão enviadas aos resumos selecionados, dentro do prazo estipulado no cronograma, é obrigatório para a inclusão do(s) autor(res) nos Anais do Evento. Trabalhos finais em desacordo com o resumo aprovado podem ser excluídos da programação.

 

DATAS RELATIVAS AO ENCONTRO DOS GTs:

- Envio de resumos expandidos (450 palavras) de 1/03/2013 a 10/04/2013
- Divulgação do resultado da seleção dos resumos expandidos dia 30/04/2013
- Envio dos artigos completos para confecção: até dia 31/05/2013.

 

Postado por admin sfevereiro - 5 - 2013 0 Comentário

Seminário Estudo Global em Mídia e Religião
Stewart Hoover

11 a 15 de março de 2013

1. A relevância do tema conforme Stewart Hoover

Ao entrarmos na segunda década do novo século, a religião continua a crescer como uma força na política e na sociedade. Este fato se dá contra ao pensamento que esperava que a secularização, de maneira uniforme, enfraquecesse a religião, particularmente no Ocidente desenvolvido. Ao contrário, as forças que levaram à secularização têm atuado na religião de uma forma diferente da prevista. A religião tem persistido em formas  evoluídas e adaptadas. Um dos agentes destas formas evoluídas da religião e do “religioso” são as formas evoluídas das mídias e da mediação das religiões, das espiritualidades e da variedade de impulsos e aspirações que são culturalmente e socialmente relacionadas à religião.

Afirmar isto, obviamente, requer amplas definições de “religião” e de “mídia” que pareceriam difusas e efêmeras não fossem pelos registros observáveis da prática social e cultural que hoje evoca e implementa formas mediadas do “religioso” em relação a projetos tão diversos como identidade política no Ocidente e nos movimentos de base por mudança social no Oriente Médio. Nossas definições de religião e de mídia têm tido que mudar e que se adaptar.

Esperava-se  que estudos nos campos da religião e das mídias tivessem trazido contínua atenção à interação entre eles. Afinal, novas formas de mediação interagem com a religião, com culturas religiosas, e com a autoridade religiosa ao longo da história, pelo menos na relação entre a revolução de Gutenberg e a Reforma Protestante. Nos Estados Unidos do século XX algumas das mais importantes mudanças religiosas, do nascimento do evangelicalismo político à emergência do pentecostalismo e das novas formas religiosas esotéricas do chamado “Movimento Nova Era”, poderiam ser vistas como tendo importantes inflexões das, ou origens nas,  mídias contemporânea. O século XXI nasceu com exemplos ainda mais óbvios (e portentosos) da interação entre as mudanças nas mídias e as mudanças religiosas. Os eventos de 11 de setembro, os atentados a bomba em Bali e os ataques terroristas em Londres e Madri não poderiam ser plenamente compreendidos sem as referências das interações entre mídia e religião. Semelhantemente, amplas e significativas mudanças no mundo islâmico, tais como o crescimento de culturas moderadas e jovens articuladas dentro e por meio de fluxos e redes de mídias emergentes, surgiram a partir dos eventos de 11 de setembro em rumos inteiramente novos por meio de atividades de atores inteiramente novos. A autoridade religiosa no Cristianismo, no Islam e, de fato, em todas as religiões do mundo, está  cada vez mais em questão numa era em que as formas de expressão religiosas populares e mercantilizadas podem circular de acordo com sua própria lógica, bem fora do controle das origens clericais e acadêmicas.

Dadas as significativas implicações de tais tendências, é surpreendente que tanto o discurso público e a pesquisa acadêmica tendam a ignorar a interação entre mídia e religião. Isto é verdade tanto nos campos dos estudos das mídias ou da comunicação de massa quanto no campo dos estudos da religião. Como jovem estudante de graduação, desejando perseguir uma pesquisa científica sobre a mediação da religião, descobri, frustrado, poucos recursos tanto em literatura quanto em tutoria acadêmica disponíveis para o meu projeto. Nenhum  campo tinha muito a dizer sobre o outro, e o que cada um dizia tendia a essencializar ou instrumentalizar o outro. Para estudiosos da religião, mídia e mediação eram vistas principalmente em termos de sua expressão da religião formal ou no enquadramento jornalístico da religião. Estudiosos das mídias tendem a aceitar de forma inquestionável a hipótese da secularização na análise social e cultural das mídias. Isto significou que a religião era pensada como uma dimensão residual ou superficial da cultura contemporânea, algo que era primeiramente importante por suas funções ideológicas. A noção de que mídia e religião possam de alguma forma interagir uma com a outra ou de que novas formas de religião e novas implicações da autoridade religiosa possam ser desenvolvidas como resultado da mediação da mídia moderna, eletrônica (e agora digital e social) é obscurecida por outras prioridades acadêmicas.

Isto é ainda mais surpreendente porque, quando um discurso acadêmico começa a construir um momentum, a pesquisa histórica (em particular) lembra-nos até que ponto a mudança na religião como resultado de novas formas de mediação não é nada nova. Por exemplo, uma das mais significativas dimensões do evangelismo de fronteira wesleyano e campbelliano (e de fato, mais tarde, o evangelismo urbano) deram-se na sua mediação nas novas formas de mídia (livros, panfletos, folhetos) que tornaram estes movimentos possíveis. E, claro, isto não diz respeito somente às mídias, mas também à forma como essas mídias se tornaram possíveis e lógicas (de algumas formas unicamente americanas) pelas formas de religião que enfatizaram o individualismo, a autonomia e a escolha, e o jeito como estas sensibilidades criaram mercados inteiramente novos para a mediação religiosa.

Na medida em que há um estudo emergente sobre a interseção entre mídia e religião hoje, ele é resultado de várias forças. Primeiro, a evidência da persistência da religião e sua crescente importância nas questões nacionais e globais. Segundo, o surgimento de novas gerações de acadêmicos mais jovens para quem as velhas ideias infundidas sobre secularização não fazem mais sentido. Terceiro, o trabalho de um grupo de colegas mais velhos, eu mesmo incluído, que tem se comprometido a desenvolver esta nova direção. Este último grupo é formado a partir de uma variedade de campos que se encontraram, em meados dos anos 90, convergindo nestas questões. Estes campos incluem antropologia, onde a pesquisa de campo foi descrevendo  formas religiosas emergentes e desenvolvidas enraizadas na sua localização e na tradição, mas cada vez mais moduladas por mídias contemporâneas; cultura estética e visual, que estava repensando hierarquias tradicionais de valor estético, abrindo para a consideração da prática popular visual e sua geração de significados e associações religiosas; estudos da religião, no qual alguns estudiosos estavam abandonando os paradigmas formalistas e essencialistas do “religioso” em busca de estudos de prática vivida; e os estudos de mídia e cultura de massa que estava passando por uma “virada culturalista” fora dos paradigmas instrumentalistas de mediação em busca de estudos e interpretações dos significados culturais das práticas de mídia.

O desenvolvimento de um discurso acadêmico em mídia e religião permanece um trabalho em desenvolvimento. Literaturas no campo continuam esparsas e atenuadas quando vistas à luz do curso do desenvolvimento histórico no século XX, sobre o qual se poderia esperar responder. Estas literaturas também continuam incompletas na compreensão e na construção de teoria sobre os contextos transnacionais e transculturais destes desenvolvimentos. Enquanto o fascinante trabalho antropológico comparativo reorienta substancialmente estas questões que levantamos, muito fica por ser feito para explicar as formas complexas e sobrepostas com as  quais o local, o regional e o global interagem nestas mediações. Frequentemente, visões transnacionais permanecem apenas comparativas. O fato das mídias, no entanto, torna isto incompleto. As mídias não são instrumentos herméticos que operam independentemente em cada contexto, elas são um complexo interconectado de tecnologia, economia e prática. Elas fazem com o que o que é feito num contexto seja imediatamente visível em outro. Elas permitem, até mesmo encorajam, fluxos transnacionais de identidade, significado e influência. Elas apresentam e reforçam convenções de gênero e prática que se tornam decisivas. Elas são inventários de possibilidade multivalentes e complexos, das mídias eletrônicas sofisticadas por um lado, à mídia “tradicional”, simples, artesanal, de outro. E, na era digital elas operam em um amplo contexto onde qualquer destas formas de mediação pode existir junto a outra.

Tudo isto demanda um estudo crítico que possa desfazer visões recebidas e tidas como verdadeiras. Vimos durante um longo tempo que formas de tradicionais de pensar sobre mídia e comunicação como “causas” instrumentais é uma incompreensão da história. E ainda, com cada nova mídia, o discurso parece cair novamente numa assunção fácil de que a questão central é o que a mídia “causa” acontecer. Debates dessas mídias no Irã, no Egito, na Tunísia e em todo o Oriente Médio,  notaram tanto as extensões quanto os limites desses efeitos e influências. Essas mídias não “causaram” estes eventos, mas elas os tornaram eventos muito diferentes do que seriam numa era das mídias diferente. A força global emergente do neopentecostalismo não pode ser dita como “causada” pelo seu uso das mídias modernas,  mas ele não seria a força que é e não teria os potenciais que tem sem as mídias modernas.

A visita ao Brasil fará parte do projeto do ano sabático 2012-2013 do professor visitante. Pretende-se realizar isto por meio de imersões em quatro diferentes localidades onde o proponente espera se envolver em momentos críticos do desenvolvimento do ensino e da pesquisa e dos recursos institucionais para apoiar ensino e pesquisa nesta área. Cada um dos locais é um contexto onde o pesquisador já esteve envolvido no passado e onde já estabeleceu relações de orientação ou institucionais. Cada um está num ponto onde tal intervenção pode ser crítica para a instanciação do estudo em mídia e religião. Cada um é localizado num contexto de fermentação importante  na mediação da religião, e onde é, portanto, possível vislumbrar o desenvolvimento de um estudo importante, frutífero e provocativo. Estes são lugares onde docentes e estudantes da graduação e da pós-graduação serão capazes de realizar rico e produtivo trabalho de campo e por meio dele trazer descobertas e aprendizados importantes para o estudo global.

A imersão nas quatro regiões do mundo vai permitir ao proponente alguma margem de reflexão sobre o desenvolvimento de um registro do estudo no campo em relação a cada contexto, e se engajar em conversações e colaborações com especialistas regionais.

Os locais de imersão são: A Universidade de Aarhus, Dinamarca,  Instituto de Estética e Comunicação; o Trinity Seminary e a Universidade de Gana, Legon; a Universidade Metodista de São Paulo e a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil; e o Instituto de Tecnologia Royal Melbourne, na Austrália.

O Brasil foi um país definido como parte deste roteiro de ensino e pesquisa por dois motivos: (1) é um contexto em fermentação no tocante à relação mídia-religião: é marcado por uma pluralidade religiosa, especialmente cristã, com o notável crescimento do segmento evangélico e de sua presença nas mídias e na política; (2) foi o local de realização da 6ª Conferência em Mídia, Religião e Cultura, cujo comitê organizador foi presidido pelo proponente. A Conferência foi sediada na Universidade Metodista de São Paulo em agosto de 2008, o que proporcionou ao proponente uma série de contatos naquela instituição e no País.

2. Funcionamento

O seminário terá tradução simultânea. O seminário será realizado com aulas expositivas, seguida de tempo para comentários dos professores do PPGCC-Unisinos, Pedro Gilberto Gomes (coordenador), Antonio Fausto Neto e Jairo Ferreira, que devem acompanhar os seminários e perguntas dos alunos, em interlocução com o professor ministrante.

3. Cronograma

Período: 11 a 15 de março. Horário: 9 horas às 12h30min. Local: Sala Conecta.

4. Avaliação

Os estudantes matriculados devem apresentar texto final, na forma de artigo, com até 15 páginas, tomando como núcleo e ponto de partida determinados aspectos de seu próprio problema de pesquisa – e observar (a) que aspectos, neste ou naquele texto debatido, podem contribuir a suas reflexões dentro do eixo Midiatização, técnica e tecnologia.

5.  Sobre o professor visitante
Stewart Hoover é professor na Faculdade de Jornalismo e Comunicação de Massa, University of Colorado at Boulder, onde dirige o Centro para Mídia, Religião e Cultura. É presidente da International Society for Media, Religion, and Culture.

Obras mais recentes: Co-Editor, with Monica Emerich. Media, Spiritualities, and Social Change.  London: Continuum Press, 2010. Co-Editor, with Nadia Kaneva, Fundamentalisms and the Media.  London: Continuum Press, 2008.Religion in the Media Age.  London: Routledge, 2006. Coordenador de projetos internacionais sobre manifestações religiosas Co-Author, with Lynn Schofield Clark, Diane F. Alters, Joseph G. Champ and Lee Hood, Media, Home and Family.  New York: Routledge, 2004. Co-Editor, with Lynn Schofield Clark, Practicing Religion in the Age of the Media: Explorations in Media, Religion, and Culture.  New York: Columbia University Press, 2002. Religion in the News: Faith and Journalism in American Public Discourse.  London: Sage, 1998.

Professor-visitante na African University College of Communications and Trinity Theological Seminary, Accra, Gana (2012); London School of Economics and Political Science, Inglaterra (2005); University of Edinburgh,Escócia (2001); Swedish Collegium for Advanced Study in the Social Sciences, University of Uppsala, Suécia (1996); University of Uppsala, Suécia (1997); Diretor do Temple London Program, Temple University (1998).

Mais informações: poscom@unisinos.br

Postado por vanessae sjaneiro - 31 - 2013 1 Comentário

ESCOLA DE ALTOS ESTUDOS

PROJETO MIDIATIZAÇÃO, TÉCNICA E TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – PPGCC-UNISINOS.
Seminário: Mutação da comunicação: Emergência de uma cultura da contribuição na era digital – Serge Proulx – 15 a 19/04 e Seminário: A cultura política sob a influência da Web – Jean Mouchon – 17 a 21/06


1. As perspectivas de Serge Proulx

Para Serge Proulx, no universo da WEB social, a multiplicação de contribuições por utilizadores profanos ou amadores para a constituição de corpus de conteúdos digitais (sites de redes sociais, sites de vendas, blogs, etx.) faz surgir um paradoxo. Diversos utilizadores aceitam assim contribuir massivamente e gratuitamente para a construção dos corpus enquanto as empresas proprietárias dos sites captam essas contribuições gratuitas não somente para os fins da constituição de corpus que elas controlam, mas também porque essas contribuições comuns são geradoras de valor econômico no novo regime do capitalismo do imaterial. Ao mesmo tempo, e contraditoriamente, nem todos os sites são necessariamente voltados para tais visadas comerciais. Por exemplo, a enciclopédia Wikipédia é gerida por uma fundação de fins não lucrativos. Outros contribuidores, como alguns desenvolvedores de software livre, utilizando estas ferramentas para fins de empoderamento cidadão, se mostram mais vigilantes, e mesmo politizados, com relação às questões éticas e sociopolíticas suscitadas pela emergência da WEB social. Como interpretar esse fenômeno contraditório e paradoxal?

A partir desta contextualização, Serge Proulx desenvolverá uma visão de conjunto direcionada a dois pontos. Primeiro, intitulado de aproximações para pensar a recepção; o segundo, o uso dos objetos comunicacionais. No quarto encontro, desenvolverá reflexões visando cruzar essas duas dimensões, discutindo “o contexto das novas mídias: o que nos ensinam as aproximações da recepção e o estudo dos usos para pensar as novas mídias?”

A síntese será apresentada no quinto encontro, intitulado “Crítica das tecnologias da informação e da comunicação no prisma das transformações do capitalismo”. Sua proposição é de que em contexto de globalização e de financeirização da economia mundial, as tecnologias da informação e da comunicação são um vetor importante das transformações atuais do modo de produção capitalista. Inspirado por um trabalho recente de Françoise Gollain (Revue du Mauss, nº 35, 2010), sugere um caminho para avançar a crítica das TICs a partir de dois tipos de análise contemporânea do capitalismo que são, em alguns aspectos, convergentes, e em outros, divergentes. De uma parte, os trabalhos de Antonio Negri e de Yann Moulier-Boutang sobre as questões da mutação expressa pelo conceito de capitalismo cognitivo. De outra parte, as análises de André Gorz (1923-2007), tendo integrado as possibilidades abertas pela desmaterialização de uma parte do trabalho humano, provocada pela presença ativa das TICs no modo de produção.

Esses dois tipos de análise dão ênfase à ocorrência de uma transformação nos processos de criação do valor econômico. Enquanto no capitalismo industrial a fonte primeira do valor era a força física dos trabalhadores, na fase contemporânea posfordista, se evidencia que aspectos « imateriais » da força de trabalho são mais levados em conta. No fim de sua vida, André Gorz tinha se distanciado dos teóricos do capitalismo cognitivo: em vez de pensar apenas em termos de transformação do modo de produção, ele propôs, mais radicalmente, pensar em uma saída do capitalismo se abrindo em direção a uma utopia pós-mercado. Que ressonâncias dessa dupla conceitual (transformação / saída do capitalismo) podem existir no estado atual e futuro da crítica das tecnologias da informação e da comunicação?

2. Funcionamento

O seminário terá tradução simultânea e terá a participação, em sistema de teleconferência, de alunos e pesquisadores da UFSM, UFPI e UFG. O seminário será realizado com aulas expositivas, seguida de tempo para comentários dos professores do PPGCC-Unisinos, Jairo Ferreira (coordenador), Adriana Braga e José Luiz Braga, que devem acompanhar os seminários e perguntas dos alunos, em interlocução com o professor ministrante. O programa do seminário analisa as transformações dos processos de comunicação em relação com a inserção dos receptores na esfera da produção, considerando os seguintes eixos:

  • Contexto: transformações tecnológicas na chamada Web social
  • Aproximações para pensar a recepção
  • O uso dos objetos comunicacionais
  • O contexto das novas mídias: o que nos ensinam as aproximações da recepção e o estudo dos usos para pensar as novas mídias?
  • Crítica das tecnologias da informação e da comunicação no prisma das transformações do capitalismo

3. Cronograma

Período: 15 a 19 de abril.
Horário: 9 horas às 12h30min.

4. Avaliação

Os estudantes matriculados devem apresentar texto final, na forma de artigo, com até 15 páginas, tomando como núcleo e ponto de partida determinados aspectos de seu próprio problema de pesquisa – e observar (a) que aspectos, neste ou naquele texto debatido, podem contribuir a suas reflexões dentro do eixo Midiatização, técnica e tecnologia.

5. Textos escolhidos para discussão
1) Livingstone, Sonia (1998), “Relationships between media and audiences: prospects for audience reception studies” in Liebes, T and Curran, J. Media, ritual and identity: essays in honor of Elihu Katz. London, UK : Routledge, p. 237-255.
2) Proulx, Serge et Danielle Bélanger (2003), « La réception des messages » in A.-M. Gingras, éd. La communication politique : état des savoirs, enjeux et perspectives, PUQ, Québec, p. 215-255.
3) Dayan, Daniel (2000), « Télévision, le presque-public », Réseaux, no. 100, p. 427-456.
4) Beuscart, Jean-Samuel, Eric Dagiral & Sylvain Parasie (2009), « Sociologie des activités en ligne (introduction) », Terrains & Travaux, 15, p. 3-28.
5) Proulx, Serge (2002), « Trajectoires d’usages des technologies de communication : les formes d’appropriation d’une culture numérique comme enjeu d’une société du savoir », Annales des télécommunications, 57 (3-4), Paris, p. 180-189.
6) Patriarche, Geoffroy (2008), « Publics et usagers, convergences et articulations », Réseaux, no.147, p. 179-216.
7) Livingstone, Sonia (2004), «The Challenge of Changing Audiences. Or, What is the Audience Researcher to do in the Age of the Internet?», European Journal of Communication, 19(1), 75-86.
8) Mellet, Kevin (2009), « Aux sources du marketing viral », Réseaux, 157-158, p. 268-292.
9) François, Sébastien (2009), « La participation médiatique selon Henry Jenkins (note critique)», Terrains & Travaux, 15, p. 213-224.

6. Anexo: O projeto Midiatização, Técnica e Tecnologias de Informação e Comunicação.
Este projeto de cooperação acadêmica internacional busca contribuir às reflexões desenvolvidas nos PPGs no Brasil com o cruzamento de dois ângulos: técnicas e tecnologias de informação e comunicação, de um lado, e processos midiáticos e midiatização, de outro. Esses dois ângulos estão presentes em diversas linhas de pesquisa de mestrados e doutorados. Com a Escola de Altos Estudos proposta, se apresenta um caminho reflexivo de articulação dos dois ângulos de estudo, buscando um diálogo com pensadores do campo da comunicação que desenvolvem suas reflexões trabalhando com conceitos de midiatização e midiático, e, ao mesmo tempo, vêm se dedicando a pesquisa sobre técnicas e tecnologias de comunicação, em especial as agrupadas como sendo Web 2.0.

Por outro lado, o projeto visa à interlocução com o pensamento francófono sobre técnica e tecnologias de comunicação no âmbito dos processos midiáticos.

A Escola se desenvolve na forma de três seminários,:

  • Os fundamentais sociais das TICs, com Bernard Miège.  Realizado entre 16 e 20 de abril, 2012.
  • Mutação da comunicação: Emergência de uma cultura da contribuição, com Serge Proulx. Período: 15 a 19 de abril de 2013.
  • A cultura política sob a influência da Web, com  Jean Mouchon. Período: 17 a 21 de junho de 2013.

No conjunto dos seminários, pelo PPGCC-Unisinos, participam os professores-pesquisadores Adriana Amaral, Antonio Fausto Neto, José Luiz Braga e Jairo Ferreira (coordenador).

7. O que é a Escola de Altos EstudosO seminário se desenvolverá nos marcos da Escola de Altos Estudos – Capes. Este programa tem como objetivos (EDITAL no 023/2006-CGCI/CAPES.  Acesse ):

  1. Fomentar a cooperação acadêmica e o intercâmbio internacional em cursos e programas de pós-graduação stricto sensu de mestrado, doutorado, bem como no pós-doutorado, mediante a visita de docentes e pesquisadores de alto nível (“professores visitantes”), em apoio aos programas de pós-graduação stricto sensu ministrados no País.
  2. Apoiar, com recursos da CAPES, a realização de cursos monográficos de alto nível, inclusive intensivos, a serem oferecidos por professores visitantes de elevado conceito internacional, para atuarem junto aos programas de pós-graduação stricto sensu brasileiros, de modo a fomentar o intercâmbio acadêmico internacional.
  3. Elevar a formação de recursos humanos qualificados, e fomentar a produção acadêmica e a formação de recursos humanos pós-graduados, contribuindo assim, para desenvolver capacidades, consolidar e ampliar o pensamento crítico em áreas estratégicas para o desenvolvimento do País.
  4. Contribuir para o fortalecimento e a ampliação de programas de pós-graduação stricto sensu nacionais, envolvendo a participação articulada de diferentes programas de mestrado e doutorado interessados em uma programação.
  5. Permitir a oferta, pelos cursos e programas de pós-graduação stricto sensu nacionais, de cursos monográficos de excelência aos estudantes de pós-graduação brasileiros.

Prof. Dr. Jairo Ferreira – coordenador do Projeto
Prof. Dra. Suzana Kilpp – coordenadora do PPGCC-Unisinos