ssetembro - 22 - 2011 0 Comentário

Isso é assim mesmo? Será que a pessoa é nestes tempos de “modernidade líquida”, de falta de tempo, de muita correria, de estresse intenso nas relações de trabalho, de muitos desencontros pessoais e familiares, a única responsável por seu próprio adoecimento?

Penso que não. Mas, a máxima diante dos problemas evidenciados no planejamento, na organização e na gestão dos serviços de atenção a saúde em nosso país, ainda que de modo lastimável, tem sido achar culpados e projetar responsabilidades, principalmente nas pessoas, sejam elas usuários e/ou profissionais.

Porém, como bem nos dizia Moacyr Scliar, médico sanitarista, “ruim com o SUS, pior sem ele”. Nestes 21 anos de SUS avançamos e muito, mas precisamos seguir melhorando nossas ações, transformando os ambientes em espaços saudáveis.

Considerando a inseparabilidade corpo/mente e o binômio saúde/adoecimento como um processo, entendemos que as fraturas humanas modernas requerem mais e melhor cuidado, acolhimento e atenção integralizada. Para isso, não se pode mais conceber um profissional da saúde que não tenha uma escuta atenta e humanizada, que não seja capaz de perceber o entorno, a história de vida do sujeito expressa na sua queixa, nos seus sintomas. Não dá mais para fazer uma “medicina – cura do órgão”. Se trata de cuidar da pessoa em todas suas dimensões constitutivas e relacionais. A experiência do profissional da saúde com o pathos requer preparo, qualificação para que sua ação seja transformadora e não confunda o que é seu com o que é do outro.

Portanto, nosso lugar na saúde é, como dizem há muito tempo, “uma arte de cuidar”. É um espaço de escuta para transformar a dor, resignificar o sofrimento do outro. Se o profissional estiver bem qualificado nesta ação, o lugar será de encontro, não haverá cisão nem culpabilização produzindo mais e mais fraturas, perdas, dores e caos. O momento na saúde é de somar esforços para a manutenção da vida de todos, sem discriminação.

Acesse o currículo Lattes do professor.