A cultura das organizações, geralmente, localizam nas áreas dedicadas a pesquisa e desenvolvimento ambientes ativos para a criação e teste de novos produtos ou serviços. O modelo que a cultura de projeto contemporânea propõe, onde o design se posiciona como articulador de processos e não somente como mero desenvolvedor de produtos, encontra em Design Centers estruturas dedicadas ao fomento e administração de processos de inovação orientados pelo design (VERGANTI, 2009). A visão de cultura de projeto contemporânea é de integrar na inovação as regras que modificaram a conceituação de produto e as suas visões “ampliadas” (LEVITT, 1980).
Nestes seis anos de relacionamento entre as empresas gaúchas e o Design Center da Unisinos, relatou-se crescimento e mudanças na relação entre ensino e indústria. Pode-se afirmar que o modelo oferecido pelo centro de inovação orientado pelo design da EDU a cada nova edição das especializações em design ofertas pela Unisinos, conseguiu estabelecer novos objetivos e novas experiências entre metodologias ligadas ao design e mercados de atuação. Assim, entre os objetivos do Design Center, existe a construção de parcerias entre empresas e cursos de especializações.
Estas parcerias são realizadas durante as três atividades de workshops ao longo dos cursos de Design Gráfico, Design Estratégico, Design de Moda e Design Moveleiro. Na totalidade são quinze atividades de projeto, onde os alunos podem experimentar uma temática real pensada entre coordenadores e empresários, para despertar a inovação e criatividade presentes em cada um deles. Portanto, um novo modelo de design, baseado na fruição do processo.
Para entendermos melhor o modelo, podemos fazer o típico exemplo onde uma indústria se relaciona com um escritório de design para pedir um novo produto, pois a resposta é vinculada ao processo para obtenção de um resultado, neste caso o produto mesmo. O Design Center da Unisinos, quando se relaciona com uma empresa parceira, reverte esta lógica focando o esforço na fruição do processo e perguntando para a empresa se está disposta a participar da formação, experimentar juntos com os alunos, se colocar em discussão, utilizando a metodologia do design ensinada e desenvolvida na Escola de Design como instrumento comum. Esta abordagem modifica a relação entre demanda e oferta, pois coloca a empresa e os alunos em uma relação de parceria, ou como amamos dizer: “desligamos da poluição do dia-dia da fabrica e deixamos um tempo para pensarmos juntos”.
Este modelo permite que os alunos se debatam com temáticas e mercados muitas vezes bem longes do que estão acostumados, e voltem a encontrar na aprendizagem novos objetivos a serem alcançados. Vários egressos utilizaram os conhecimentos adquiridos no curso para montar o seu próprio negócio, ou aplicá-los dentro das empresas onde trabalham, ao ainda para mudar de trabalho.
Nestes anos trabalhamos com empresas de produção, de serviço, ONGs, prefeituras, entre outras, e na maioria dos casos, depois de uma parceria, diretores e seus funcionários que trabalharam no projeto de parceria quiseram “voltar às aulas” para experimentar em primeira pessoa a fruição do processo em design.


