Em 2 - março - 2012 0 Comentário


A última edição da Revista do Conselho Regional de Psicologia – Entrelinhas (Jul-Dez/2011), cuja temática foi a Infância, Adolescência e Juventude, reuniu vários artigos que instigam a reflexão. Um deles diz das implicações da Psicologia no fortalecimento das políticas públicas nesta área, incentivando os psicólogos a participarem das instâncias de Controle Social. Sem dúvida este é um caminho necessário, que vem ganhando espaço não só na prática de muitos colegas, como também no meio acadêmico, através da revisão curricular e do desenvolvimento de tecnologias neste sentido. Um dos exemplos são os trabalhos desenvolvidos nos Serviços-Escola das universidades, que integram a formação acadêmica aos atendimentos do público em geral, buscando uma articulação com as redes de saúde, educação e assistência social dos municípios. No entanto, este trabalho em rede que fomenta a prática interdisciplinar não pertence somente à esfera pública, mas também ao âmbito privado.

O compromisso social está igualmente no atendimento psicológico individual, na medida em que se estabelece uma articulação com toda a rede que envolve as crianças e adolescentes atendidos. Em especial nesta faixa etária, a família, a escola, os demais profissionais precisam se comunicar, para juntos entenderem as causas do sofrimento psíquico destes “pequenos”, que chegam aos consultórios com os mais variados rótulos: hiperativo, desatento, brigão, depressivo, entre tantos outros diagnósticos. O atendimento ao público infanto-juvenil permite além do tratamento a prevenção, na medida em que possibilita a redução de danos e a informação. Neste sentido, os pais têm um papel fundamental, pois são eles que trazem os filhos para o tratamento. Então, possibilitar um espaço de escuta para estas crianças, adolescentes e jovens, em que possam pensar sobre o sentido de suas ações, entender a causa dos seus sofrimentos e, acima de tudo, se sentir amparados para construir novas possibilidades de vida, este é o nosso compromisso, seja ele na esfera pública ou privada.

O Curso de Especialização em Psicoterapia Psicanalítica de Crianças e Adolescentes, organizado para receber psicólogos e profissionais de áreas afins, se encontra articulado com os Projetos de Ação Social da universidade e com a pós-graduação em Psicologia Clínica da Unisinos, o que permite ao aluno transitar e usufruir dos conhecimentos, corpo docente e ferramentas desenvolvidas nestas instâncias. A prática supervisionada, aspecto fundamental na formação do psicólogo, ocorre individualmente durante um ano, possibilitando a discussão aprofundada de uma situação prática específica do aluno. O formato das aulas incentiva uma articulação entre teoria e prática, auxiliando os psicólogos clínicos, por vezes solitários no exercício da profissão, a ter um espaço qualificado de discussão e atualização teórica. A proximidade com o corpo docente e colegas é algo trabalhado e instigado no grupo, o que facilita a aprendizagem e troca de experiências.


Acesse o currículo Lattes da professora.


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