em 23 - maio - 2013 0 Comentário


Texto originalmente publicado no jornal Zero Hora no dia 18/5/2013.

Se nos anos 1990 muitos autores, sejam eles do campo da literatura de ficção científica ou da filosofia e da sociologia, apostavam em uma desmaterialização dos corpos devido aos ambientes digitais, na atualidade cada vez mais percebemos que a dicotomia cartesiana “mente versus corpo” parece fazer menos sentido. Conforme autores como o alemão Hans Ulrich Gumbecht, por exemplo, a “cultura da presença” e o papel dos corpos tornam-se cada vez mais fortes, seja nas representações da mídia ou na forma como nos moldamos ao uso dos artefatos tecnológicos.

Nesse sentido, o exemplo atual e a discussão sobre o caso da atriz Angelina Jolie e seu processo cirúrgico de mastectomia em função da possibilidade do câncer de mama – notícia amplamente divulgada pela mídia internacional e nacional nos últimos dias – se apresenta como um pano de fundo interessante para pensarmos questões a respeito das reconfigurações e do lugar do corpo na cultura contemporânea em suas interfaces com as tecnologias. As contribuições das materialidades da comunicação, as relações entre agentes humanos e não-humanos e as questões de identidade de gênero despontam como algumas das possibilidades de análise sobre a repercussão do caso.

As questões relativas ao corpo estão presentes nos âmbitos teóricos desde o princípio da filosofia e da ciência. No entanto, com o avanço das tecnologias, entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, a ficção científica e as ciências humanas que se dedicaram a pensar a cultura digital passaram a tratar com mais afinco da relação corpo e tecnologia. Para alguns teóricos, havia uma constante tensão entre a alta tecnologia, a vida ordinária e a busca pela “transcendência tecnológica”, com a temática da descorporificação ou desmaterialização, tratando a mente como uma entidade separada do corpo, sendo a “carne”, uma estrutura sem uso no ambiente do ciberespaço, por exemplo.

Uma sociedade que estimula as extensões corporais (como os óculos, as lentes de contato, etc.) e as modificações corporais, seja pelas drogas sintéticas, pelas cirurgias plásticas, por piercings e tatuagens, pela engenharia genética ou pelos implantes de membros, parece, dado o contexto do cenário urbano e teórico do período, cada vez mais receptiva à figura social e ficcional do ciborgue, proposta pela pesquisadora da ciência e feminista Donna Haraway na publicação hoje clássica Manifesto Ciborgue, de 1985.

Nesse ensaio a autora norte-americana define o ciborgue como um organismo cibernético híbrido, ligado tanto à realidade social quanto à ficção. Ele se apresenta como uma mistura entre homem-máquina tanto quanto entre os gêneros masculino e feminino, mudando o eixo nas relações de poder de gênero. Ele/ela aparece como uma fabulação que mostra a emanação do poder do corpo, descentralizado de uma raça, um gênero, uma classe social, servindo tanto como uma figura da ficção que explica a realidade social quanto como uma paródia política através da arte, como propõe o ciberfeminismo.

Essa figura do ciborgue está presente nos mais variados campos do conhecimento como a medicina, a biologia, a engenharia genética, a comunicação, entre outros, além de ter sido apropriada pelas narrativas de ficção científica. Donna Haraway comenta que “Os cyborgs são um mapeamento ficcional da nossa realidade social e corporal, além de uma fonte imaginativa que sugere algumas associações muito frutíferas”.

Nos interessa aqui a alegoria mítica do ciborgue para representar as profundas relações homem-máquina e para nos fazer pensar, que no caso da atriz hollywoodiana, o acontecimento midiático possui uma carga simbólica que vai além das relações corpo e mídia, mas se localiza nas instâncias do imaginário tecnológico e ficcional. Como se estivéssemos lidando com a trama de um filme sobre o futuro, Angelina pôde, devido à ciência genética e aos artefatos tecnológicos, ter acesso antecipadamente aos dados que indicavam sua predisposição ao câncer de mama. Tomou, então, uma decisão considerada polêmica ou racional por muitos: extirpar o par de seios para tentar burlar a doença e colocar um implante de silicone, procedimento efetuado por várias mulheres no mundo, mas que, por não terem a notoriedade de Angelina, não ganham o estatuto de acontecimento. Do meu ponto de vista e das teorias de gênero, não cabe discutir as escolhas da atriz, o corpo é dela e pode ser por ela manipulado da forma como decidir.

A partir dessas premissas, contudo, podemos pensar nesse acontecimento jornalístico a partir de três eixos. O primeiro deles trata da constituição de uma narrativa da ordem material que posiciona a noção do corpo novamente no centro dos debates contemporâneos, contrariando as teses de desmaterialização defendidas por muitos teóricos da cultura digital no final do século passado. Na sociedade contemporânea, os conceitos de presença e de corpo são uma parte tão importante da cultura e de sua materialização quanto a mente. O segundo eixo do episódio centra-se em uma narrativa que está relacionada ao imaginário científico-ficcional, no qual a ciência e a tecnologia parecem corroborar a tese de Marshall McLuhan sobre as tecnologias como extensões do homem. Nesse sentido, é ainda mais interessante o fato de que Angelina Jolie deu vida nas telas de cinema à personagem Lara Croft, uma personagem de um videogame, criatura não humana materializada em um corpo humano digital e mais tarde traduzido para as telas no corpo – também modificado – da atriz. Um terceiro eixo diz respeito às discussões sobre corpo e gênero que se fizeram presentes nas conversas em redes sociais. O fato de ser um corpo feminino cuja performatização do gênero se dá em muito no elemento dos seios trouxe à tona uma série de manifestações sobre as relações entre “natureza” e “artificialidade” e sobre a própria performatização do gênero feminino, como aponta a teoria queer por exemplo.

São questões efervescentes da cultura atual e que mostram que a volatilidade dos corpos e sua presença tecnologicamente mediada e reconfigurada nos traz apontamentos importantes para a compreensão da sociedade em devir.

 

 

 

 

 

 

Conheça a Especialização em Cultura Digital e Redes Sociais

em 10 - maio - 2013 0 Comentário


A Unisinos realiza, em 17/5, o seminário de imersão do Global Business Project. O evento prevê painéis de discussão sobre economia, comportamento do consumidor, jurisdição e inovação global. Entre os participantes estão pesquisadores e professores nacionais e internacionais altamente renomados nas áreas.

Confira a programação do evento (PDF)

Inscrições até 10/5, através do e-mail azilles@unisinos.br.

em 23 - abril - 2013 0 Comentário


O corpo docente do Pós-MBA em Gestão Estratégica em Serviços comentou o atual cenário deste mercado no âmbito nacional e internacional. Conheça mais a área de serviços e a importância de profissionais especializados:

 

“2012 não foi um ano de forte crescimento do PIB na economia brasileira, que se afirmou em 0,9% a respeito do ano passado. Diferentemente, segundo dados do IBGE, o setor de serviços foi o único que apresentou crescimento significativo com um aumento de 1,7% no ano, posicionando-se como verdadeiro motor da economia do país. O setor de serviços representa hoje o 68,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e segundo o IBGE o crescimento é devido a demanda de consumo das famílias brasileiras. Neste panorama de bons propósitos e dados estatísticos, várias empresas se encontram em dificuldade em gerir e inovar o setor de serviço, seja como principais atores, seja como coadjuvantes no mercado.

Um mercado que visa de um lado o natural crescimento da concorrência entre empresas para ganhar fatias novas e antigas de consumidores, de outro lado apresenta uma rápida mudança na educação ao consumo das classes sociais brasileiras, pois hoje cientes do funcionamento dos processos e dos direitos adquiridos como consumidores, estão criando uma demanda nova para as empresas, necessidades onde se buscam experiências, lembranças, e naturalmente muita mais qualidade no produto e serviços oferecidos.

Estes objetivos em uma empresa de serviços devem passar por uma visão de inovação e gestão, onde áreas de design e marketing se encontram para construir novas estratégias no mercado. O curso de Gestão Estratégica de Serviços foi projetado com uma olhar contemporâneo sobre aprendizagem e construído como uma ferramenta necessária para a atualização do capital humano das empresas.”

 Prof. Esp. Giulio Palmitessa 

 

“A expansão da área de serviços no mercado é uma expressão deste contemporâneo interativo, conectado, onde a dimensão intangível do produto é cada vez mais determinante no consumo. Neste sentido, contar com profissionais que possuam desde a compreensão estratégica do negócio ‘serviços’ até uma percepção sistêmica e empática de cada inter-relação estabelecida ao longo do processo de atendimento aos distintos clientes-atores, é sem dúvida, um diferencial sustentável para as organizações. O Pós-MBA Gestão Estratégica de Serviços, atento a estes desafios, dispõe de uma proposta de formação acadêmica e profissional que tem muito a contribuir com os profissionais que anseiam por fazer esta diferença em serviços”.

Profª Drª Patrícia M. Fagundes Cabral

 

“A maior representatividade que o setor de serviços vem ganhando nas economias tem gerado grandes desafios para os profissionais que atuam nesse campo. Mercados dinâmicos e novas formas de modelos de negócios, apoiados no desafio do gerenciamento de equipes em um contexto onde o elemento-chave são pessoas exige constante atualização profissional, busca de perspectivas inovadoras e capacidade de reflexão crítica sobre os dilemas organizacionais. O Pós-MBA em Gestão Estratégica de Serviços da Unisinos tem como propósito ser um ambiente de discussão e aplicação de conhecimentos da gestão de serviços, alicerçado no desenvolvimento de projetos inovadores a partir de distintos olhares, como, por exemplo, a inovação orientada pelo Design para a solução de problemas complexos. É uma proposta para quem quer rever seus paradigmas e ter novas perspectivas para enfrentar o campo de serviços.”

Prof. Dr. Filipe Campelo Xavier da Costa

 

“Mais que gestores de empresas, o mundo precisa de gestores de serviços, em empresas de serviços ou indústrias. Somente o entendimento desta sutil e importante diferença que permite a gestores, empresas e demais organizações, planejar e melhorar os serviço ao cliente.  Fazendo uso da citação ‘Nada mais prático do que uma boa teoria’, podemos ressaltar a necessidade de bons conceitos e fundamentos para a prática da excelência em serviços. Participar de um Pós-MBA em Gestão Estratégica em Serviços é fazer parte de um grupo seleto de profissionais que conseguem tocar o intocável, e fazer o cliente perceber os efeitos de um serviço bem planejado e executado!”

Prof. Dr. Kleber Cavalcanti Nóbrega

“A economia, apesar de toda a evolução que tem visto nas últimas décadas, chegou a um momento no qual encontra dificuldades para entender como lidar com os serviços. Quantos de nós, como consumidores brasileiros, têm um histórico de problemas ao tentar utilizar serviços? Quantos de nós, como profissionais, entendem realmente como solucionar os problemas vividos?

Pensando em oferecer ferramentas e conhecimentos avançados aos profissionais para entender como fazer a gestão estratégica em serviços, elaboramos a proposta do curso. Ela foi cuidadosamente constituída para dar conta de qualificar ainda mais a formação de profissionais que necessitam solucionar problemas complexos relacionados a serviços, levando aos alunos os conhecimentos avançados mais atuais sobre o tópico.

Os alunos serão estimulados a pensar além do que o mercado oferece atualmente, já que muitas das alternativas oferecidas pelas empresas têm falhado sistematicamente. Marketing, Design e estudos sobre a experiência dos consumidores, entre outros tópicos, serão trabalhados no curso, a fim de levar os alunos a uma próxima fronteira na evolução da forma como o mercado brasileiro lida com a dimensão serviços.”

Prof. Dr. Leandro Tonetto

em 18 - abril - 2013 2 Comentários


A qualificação dentro do mercado não termina no MBA, ou não passa necessariamente para um mestrado e, depois, um doutorado. Os negócios exigem gestores bem preparados dentro das empresas, mas também limitam o tempo de dedicação a essa formação. Assim, o que um gestor precisa é de uma opção com tempo reduzido e nível elevado, e é aí que surgem os Pós-MBAs.

Os Pós-MBAs são cursos exclusivos para quem já possui um MBA em seu currículo, e caracteriza-se principalmente pela curta duração e alto desempenho da formação de gestores de empresas tanto no âmbito nacional quanto no internacional.

Atualmente, a Unisinos está ofertando quatro cursos de Pós-MBA que surgem para suprir lacunas na formação de executivos atuantes no mercado. Entre eles está o Pós-MBA em Global Business Management, que oferece dupla titulação com aulas realizadas na European Business School (EBS), na Espanha, universidade que é referência na formação de gestores na Europa.

Confira os Pós-MBA da Unisinos:

Pós-MBA em Global Business Management
Pós-MBA em Liderança
Pós-MBA em Inovação
Pós-MBA em Gestão Estratégica de Serviços

em 21 - março - 2013 0 Comentário


Recentemente, as turmas da Especialização em Design de Moda da Unisinos promoveu o II Workshop de Moda, que dá seguimento aos trabalhos realizados no primeiro workshop realizado em novembro de 2012. Comandado pelas professoras Paula Visoná e Anne Anicet, as atividades foram feitas em parceria com a Grendene para o desenvolvimento de produtos para a marca Ipanema.

Edson Matsuo, da Grendene, comenta os resultados do workshop: “As atividades, como sempre, foram muito inspiradoras e elas reforçam o significado do ‘design , doing , feeling, sharing and thinking’. Os conceitos e os caminhos simulados em mockups foram surpreendentes e oportunizaram a todos sentir os projetos e partilhar as sensações que nos surpreenderam. O ponto alto para mim foram as ideias que nos desafiaram a tornar real um calçado que possa ser efetivamente um ponto de reflexão diante do ‘mais do mesmo’ que existe no mercado, busca esta que está dentro do próprio objetivo do workshop”.

No workshop, as alunas apresentaram para a empresa as suas ideias e projetos de produtos para a Ipanema. Luciana Beltrami completa as percepções dessa parceria: “Participar da etapa de apresentação dos layouts foi muito enriquecedor, pois como as alunas não estão projetando na indústria, a imaginação e a criatividade foram exploradas ao extremo (sem vícios). E em contrapartida a isso, muitos modelos apresentados são totalmente viáveis e poderiam fazer parte do portfólio de Ipanema. A parceria entre Ipanema e Unisinos está sendo muito produtiva, acredito que para ambas as partes”.