O filósofo Edmund Gustav Albrecht Husserl, conhecido como o fundador da fenomenologia, busca a analogia entre a discussão teórica e a prática. Essa analogia foi o foco para a palestra do Prof. Dr. Marcelo Fabri (foto) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na tarde de quinta-feira (10/05) sobre “O conceito husserliano de razão prática”. Segundo ele, a questão da vida está inserida em um horizonte no qual a razão lógica não pode enxergar.
“Quando a questão teórica se transpõe sobre a prática, temos um desafio de compreender que nas ações, nas valorações, na vida afetiva do ser humano está inserida uma expressão humana de uma racionalidade a ser construída”, citou Fabris. Há um desafio de uma ética fundada que a lógica por si só não pode resolver e esse desafio “na razão prática é compreender de que maneira os sentimentos, as emoções, as escolhas e os elementos que fazem parte da vida concreta do sujeito implicam uma expressão humana que não é a razão que impõe abstratamente, é a vida que está falando, o sentimento, todo o plano concreto”, explicou o professor.
Marcelo citou alguns dos filósofos de sua pesquisa, como Brentano, e acrescentou que para Husserl temos que construir uma racionalidade, que seja coerente, forte do ponto de vista prático e ético. “O que ele quer dizer é que a razão não se impõe incondicionalmente aos atos humanos. As pessoas são concretas e os sentimentos são ligados às situações, aos modos de vida, entre outras coisas e a tese é que a razão pode ouvir o que os sentimentos procuram dizer, pensar e realizar. A razão dá a voz ao sentimento, é pela razão que se compreende o que se quer dizer”. “O simples ato de alguém estar alegre ou triste não é uma questão subjetiva, isso está ligado ao nosso comportamento intencional”, exemplifica o palestrante.
Buscar, mediante o confronto e a reflexão, o máximo de universalização do valor, esse é o desafio para a comunidade ética, segundo Fabri. “O que estamos fazendo? Como estamos agindo? O que estamos querendo?” questiona. O querer é uma intencionalidade, assim como a valoração e o professor explica: “Para eu querer, preciso ter um valor por trás, precisa-se avaliar algo como bom para eu querer ou não”. A prática do querer se realiza na ação e a vontade é algo que pode se corrigir e avaliar.
Marcelo Fabri finaliza sua palestra utilizando a ideia de que “tudo me afeta, as opiniões, os outros, as minhas paixões, mas nem por isso eu deixo de ser motivado de uma forma racionalmente. Somos frutos dessa afetação, mas somos também uma realidade que pode compreender seu desafio prático, a razão prática”.
Por Luana Taís Nyland
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Para ler mais:
- “A alteridade radical de Levinas e a ética racionalista de Husserl”, entrevista com Marcelo Fabri à Revista IHU On-Line
- “Um convite à radicalidade”, entrevista com Fabio Di Clemente à Revista IHU On-Line. Edição 378
- “Uma teoria do conhecimento é inseparável de uma teoria da vida: o antikantismo de Bergson”, entrevista com Paola Marrati à Revista IHU On-Line. Edição 237



