Dilma. O primeiro ano

Em 22 março, 2012 Comentar

O primeiro ano do governo de Dilma Rousseff é analisado, criticamente, por diferentes olhares e perspectivas. “O PT se tornou uma força condutora da expansão burguesa no Brasil”, na visão do sociólogo Luiz Werneck Vianna, Dilma Rousseff é uma grande racionalizadora, uma grande administradora. “A política não é o ramo dela”, constata. Ele ainda acrescenta: “A ênfase do governo Dilma é economia de gestão, racionalização”.

A primeira edição da Revista IHU On-Line de 2012 conta com a colaboração de Luiz Werneck Vianna, sociólogo e professor-pesquisador da PUC-Rio, José Vicente Tavares dos Santos, professor no Departamento e no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS, Marco Aurélio Nogueira, cientista político, professor na UNESP, Ivo Lesbaupin, sociólogo e professor na UFRJ, Pedro Ribeiro de Oliveira, sociólogo e professor do PPG em Ciências da Religião da PUC-Minas, Marcos Costa Lima, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, e Marianne Wiesebron, professora na Universidade de Leiden, da Holanda. Francisco de Oliveira, sociólogo, num breve texto, descreve o 18 Brumário de Luiz Inácio Lula da Silva.

O destaque da semana vai para o Caso Pinheirinho: “o episódio afrontou a legislação em bloco”. O desembargador José Osório de Azevedo Júnior analisa o episódio do bairro Pinheirinho sob o viés jurídico e defende que casos como esse não podem ser cumpridos de forma direta, específica. “São ordens inexequíveis. Elas são juridicamente impossíveis”.

A edição é completada com as entrevistas sobre a obra de T. Adorno e Franz Rosenzweig, respectivamente por Bruno Pucci, UNIMEP, Ricardo Timm de Souza e Luiz Carlos Susin ambos da PUC-RS. Por sua vez, Castor Bartolomé Ruiz, da Unisinos, escreve o artigo “Genealogia da biopolítica. Legitimações naturalistas e filosofia crítica”.

Os filmes de T. Malick e M. Scorcese são discutidos por Joe Marçal Gonçalves dos Santos, da PUC-RS enquanto Alfredo Jerusalinsky, psicanalista, reflete sobre o filme Melancolia de Lars Von Trier.

Enfim, Valério da Cruz Brittos, professor e pesquisador do PPG em Comunicação da Unisinos descreve os  problemas e a agenda da comunicação no Brasil.

Para conferir a versão online da Revista, entre no sítio.

Dois filmes estão em evidência nessa época de páscoa. Homens e Deuses mostra a harmonia com que os monges cistercienses se encontram em meio a população islâmica, que é constantemente evidenciada. Ao serem informados dos últimos acontecimentos envolvendo grupos radicais, eles vão debater justamente com líderes religiosos islâmicos, quando fica clara a cumplicidade entre as duas crenças. Inspirado em fatos reais, ocorridos na Argélia em 1996, o filme do diretor francês Xavier Beauvois, sustenta a tensão da crônica de uma morte anunciada. Já o filme Melancolia retrata um mal epidêmico, produto de nossa perda de ingenuidade e da garantia que as crenças religiosas outorgavam, além da perda da na razão da ciência.

Os dois filmes têm em comum o debate sobre crenças religiosas. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2010, “Homens e Deuses” detalha a vida despojada destes religiosos que, liderados pelo prior Christian de Chergé (Lambert Wilson), dedicam seu tempo a orações, cânticos e trabalho agrícola, numa atmosfera de silêncio e contemplação. Os dois filmes foram escolhidos entre os melhores filmes religiosos de 2011 e serão debatidos durante o evento de Páscoa do IHU.

No dia 21 de março, o filme Melancolia de Lars von Trier contará com a presença do palestrante  Prof. Dr. Alfredo Jerusalinsky (APPOA) e dia 28 de março, o filme Homens e Deuses de Xavier Beauvois trará a ilustre presença do palestrante Abade Dom Bernardo Bonowitz, OCSO (Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente – PR). Devido ao tempo de duração dos filmes, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU está disponibilizando momentos antes das datas de debate para que o público interessado possa ver os filmes na íntegra.

Programação
20/03 – Melancolia (Lars von Trier, Dinamarca, 2011, Drama, 136 min)
Local: sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU
Horário: das 16h30min às 19h.

21/03 –  Melancolia (Lars von Trier, Dinamarca, 2011, Drama, 136 min)
Local: sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU
Horário: das 14h30min às 17h.
26/03 – Homens e Deuses (Xavier Beauvois, França, 2010, Drama, 122 min)
Local: sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU
Horário: das 10h às 12h.
27/03 – Homens e Deuses (Xavier Beauvois, França, 2010, Drama, 122 min)
Local: sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU
Horário: das 11h30min às 13h30min.
28/03 – Homens e Deuses (Xavier Beauvois, França, 2010, Drama, 122 min)
Local: sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU
Horário: das 17h às 19h.

Homens e deuses, de Xavier Beauvois

A Melancolia abstrata

Em 20 março, 2012 Comentar
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A preocupação das pessoas quanto ao fim do mundo é representada de uma maneira bem dramática pelo filme que conta a história de Melancolia, um planeta que está prestes a colidir com a Terra, o que resultaria em sua destruição por completo. O nome dado ao planeta e ao título do filme, também é visto como o causador de um estado psíquico de depressão. O filme está carregado de referências culturais de grande importância histórica e filosófica.
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Um mal epidêmico, produto de nossa perda de ingenuidade e da garantia que as crenças religiosas outorgavam, além da perda da fé na razão da ciência. Esses são os pilares atuais da melancolia coletiva, assinala o psicanalista argentino Alfredo Jerusalinsky, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. “Nada nos garante o que irá aparecer no horizonte no próximo amanhecer. Trata-se, então, de um horizonte tomado pela melancolia: uma neurose de destino onde prevalece a depressão”. A discussão antecipa aspectos do debate que será conduzido por Jerusalinsky após a exibição de Melancolia, filme de Lars von Trier, cuja exibição acontece em 21-03-2012, na Sala Ignácio Ellacuría e Companheiros, no Instituto Humanitas Unisinos – IHU, dentro da programação da Páscoa 2012.
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“Efetivamente é um filme sobre o ‘mal de hoje’: a depressão causada pela ciência, que não é qualquer depressão”, explica o psicanalista. “O sujeito contemporâneo padece pela captura de sua subjetividade numa inversão do tempo e do saber: supõe que sabe antecipadamente o que só saberá depois; supõe que as coisas acontecerão de acordo com seu saber, sendo que só saberá depois de acontecerem. Eis aí seu fracasso cotidiano”.
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O filme passa-se em dois momentos; o primeiro, antes de se saber que o Mundo vai acabar, no casamento falhado de Justine (Kirsten Dunst), onde concentra toda a atenção do espectador e, o segundo, quando o Apocalipse terrestre já é quase uma certeza, e é dado destaque acima de tudo ao “desmoronar” do mundo pessoal de Claire (Charlotte Gainsbourg). Von Trier opta por iniciar o filme precisamente com o momento em que a Terra embate, sendo destruída, com Melancolia, um planeta imaginário.
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Ficha técnica
Nome: Melancolia
Nome original: Melancholia
Cor filmagem: Colorida
Origem: Dinamarca
Ano de produção: 2011
Gênero: Drama
Duração: 130 min
Classificação: 14 anos
Direção: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling, John Hurt, Stellan Skarsgard, Rudolf Klein-Rogge, Udo Kier
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Assista ao trailer do filme.
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Por Luana Taís Nyland e Márcia Junges

“Não seja infantil ou imatura; relacionar-se com alguém é coisa séria”, adverte o Jorge Lordello, conhecido como “Doutor Segurança”. O assunto em questão é a violência contra a mulher. Para tentar evitar que isso aconteça, Lordello elaborou uma cartilha com dicas para identificar homens com tendências violentas.
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Uma das principais questões que o “Doutor Segurança” é o ciúme em excesso. Se o homem vasculha seus e-mails e celular, cuidado! A falta de confiança é um perigo. Além disso, é importante observar como ele se porta em situações de estresse. A análise deve ser feita friamente, sem levar em conta os sentimentos que se possa ter pela pessoa. Isso poderá prever uma futura agressão.
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Lordello também chama atenção para a desculpa mais ouvida: “eu vou mudar”. De acordo com ele, isso não vai acontecer. Se o homem é violento, ele vai continuar assim e poderá ser cada vez pior.
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Leia a cartilha completa aqui.
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Por Natália Scholz
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Para ler mais:

Passado o primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, chega-se à conclusão, a partir da atenta leitura das notícias sobre a conjuntura política atual, que as amarras que ligam o Brasil moderno ao Brasil atrasado prosseguem no governo de coalizão herdado de Lula pela presidente.
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Para entender esse jogo de forças e as marcas do primeiro ano de Dilma no poder, a IHU On-Line retoma a publicação semanal neste ano de 2012 ouvindo a opinião de diversos estudiosos e cientistas políticos brasileiros, que reforçam a tese de que é preciso muitas vezes recuar para, paradoxalmente, avançar.

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Para o sociólogo e professor-pesquisador da PUC-Rio, José Werneck Vianna, Dilma Rousseff é uma grande racionalizadora, uma grande administradora. “A política não é o ramo dela”, constata. Na visão de José Vicente Tavares dos Santos, professor no Departamento e no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS, do ponto de vista da distribuição de renda, estamos vivendo um momento de inclusão social no Brasil. Já para Marco Aurélio Nogueira, professor na UNESP, quanto mais democrático, republicano e sensível o governo for, mais chance teremos de ele ser uma espécie de líder da sociedade para o ataque aos problemas sociais que são os mais dramáticos hoje. O sociólogo e professor na UFRJ, Ivo Lesbaupin, identifica uma abertura por parte do governo Dilma para as vozes vindas de baixo. No entanto, não percebe mudanças nas estruturas geradoras da desigualdade. Marcos Costa Lima, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, e Marianne Wiesebron, professora na Universidade de Leiden, da Holanda, contribuem para o debate defendendo um otimismo diante do primeiro ano de Dilma no poder. Para o sociólogo e professor do PPG em Ciências da Religião da PUC-Minas, Pedro Ribeiro de Oliveira, o governo Dilma está enredado por chantagens de autoridades religiosas, e “dança conforme a música”. E para o sociólogo Francisco de Oliveira, o governo Dilma é de “combate ao fogo amigo”.  Enquanto isso, o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e professor de Direito Civil, José Osório de Azevedo Júnior, analisa o episódio do bairro Pinheirinho sob o viés jurídico e defende que casos como esse não podem ser cumpridos de forma direta, específica.
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O debate interessou? Então, já sabe: segunda-feira, dia 19-03-2012, a partir das 16h, a revista IHU On-Line estará no ar nesta página. Acesse e confira.
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Por Graziela Wolfart
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Para ler mais: