Neste espaço se entrelaçam poesia, arte e mística. Através de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é absoluta transcendência e absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, com Paulo Couto Teixeira (“Pulika“), artista plástico de Brasília e Paulo Sérgio Talarico, artista plástico de Juiz de Fora.
A ilustração de hoje é de Paulo Sérgio Talarico.

Bênção – Rabindranath Tagore
Abençoa este coração
pequenino, esta alma branca que
arrebatou para a terra o beijo do céu.
Ele gosta da luz do sol, e se delicia em
contemplar o rosto de sua mãe.
Ainda não aprendeu a desprezar
o pó da terra nem a cobiçar o ouro.
Aconchega-o junto ao teu coração,
E dá-lhe a tua bênção.
Fonte: Rabindranath Tagore. A lua crescente. 2 ed.3 São Paulo: Paulus, 1991, p. 36
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A ilustração de hoje é de Paulo Sérgio Talarico.

Recreio (Rabindranath Tagore)
Quando era Você quem me divertia,
jamais indaguei quem era.
Desconhecia timidez ou medo;
minha vida era entusiasmada.
De manhã cedo, você me despertava
como um companheiro,
guiando-me a correr
pelas clareiras da floresta.
Naquelas dias, nunca procurei saber
o sentido das canções que Você me cantava:
minha voz entoava as melodias,
meu coração dançava cadenciado.
Agora que o recreio acabou,
que súbita visão é esta que aparece?
Com olhos deitados aos Seus pés,
o mundo se assombra
com as estrelas silenciosas.
Fonte: Rabindranath Tagore. O coração de Deus. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003, p. 79
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A ilustração de hoje é de Paulo Sérgio Talarico.
Oferenda com amor
Sabe também, ó Arjuna!
Que eu aceito toda a oferenda
que se me faça com amor:
seja uma folha, uma flor,
uma fruta ou apenas
gotas de água.
Eu não olho o valor da oferenda,
mas olho o coração
de quem a faz.
Fonte: Bhagavad Gîtâ IX, 26

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A ilustração de hoje é de Paulo Sérgio Talarico.

Arte da secreta viagem (Hemann Hesse)
Os olhos que buscam com pressa
Apenas a destinação final da viagem
Nunca podem conhecer o doce vagar.
Florestas, rios e espetáculos maravilhosos,
Toda a imensidão de cada ponto do caminho
Estão fechados a eles.
Fonte: Shundo Aoyama Rôshi. Para uma pessoa bonita. São Paulo: Zen do Brasil/Palas Athena, 2002, p. 125
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A ilustração de hoje é de Paulo Sérgio Talarico.
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O tempo do cume – Li Po
Passo esta noite no Templo do cume.
Aqui eu poderia apanhar as estrelas com a minha mão.
Não ouso alçar a voz em meio ao silêncio,
com medo de perturbar os habitantes do céu.
Fonte: José Jorge de Carvalho. Os melhores poemas de amor da sabedoria religiosa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 50