Arquivos da categoria ‘Meio ambiente’

Foto: Divulgação

“Os recursos hídricos refletem em suas águas um capítulo da história do desenvolvimento. De um estado natural da época do descobrimento, passaram a ser indicadores do comportamento da civilização. Os rios corriam em paz em seu território, hoje as suas águas são disputadas em seus diferentes usos e poluídas”, responde o professor Dieter Wartchow, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.

Segundo ele, a pobreza atua no sentido oposto da racionalidade e do equilíbrio ambiental. “Portanto, é preciso mudar hábitos e comportamentos, e distribuir saberes e conhecimento, através de uma interação constante com o meio ambiente”. E continua: “A educação ambiental e a participação do cidadão nas tomadas de decisão também podem contribuir para o saneamento do ambiente melhor e mais saudável. A educação começa em casa.”
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Ao finalizar a entrevista, Dieter deixa seu recado aos leitores: “A preservação da vida depende do cuidar da gente, da vida, dos animais, da saúde do meio ambiente, das cidades, do rio e da água. Devemos desenvolver a aptidão para transformar problemas em oportunidades. Devemos crescer sem destruir. Crescer com educação, cultivando e cuidando da seiva da vida, a água, a floresta, os animais, o ar e o solo. Isso parece muito filosófico, mas é o amor à sabedoria que poder fazer convergir ideias e ações para promover a progressiva visão do futuro que queremos.”
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Dieter Wartchow, graduado em Engenharia e mestrado em Hidrologia Sanitária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, doutor em Engenharia Sanitária e Ambiental pela Universidade Stuttgart, Alemanha e professor no Instituto de Pesquisas Hidráulicas – IPH, da UFRGS, estará presente no IHU hoje (24 de maio), onde abordará o tema: “Rio+20 e recursos hídricos: tecnologias sustentáveis no tratamento de águas residuais”.
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Para conferir a programação completa do evento, acesse o sítio.
Para conferir a entrevista na íntegra, acesse o sítio da Revista IHU On-Line.

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O Brasil é hoje o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Intoxicações, doenças agudas e crônicas, a possível relação com o surgimento de doenças cancerígenas e até suicídios são estudados por pesquisadores e pesquisadoras que analisam as consequências do uso dos agrotóxicos. Para combater isso, movimentos sociais e pesquisadores afirmam que é possível e urgente produzir sem venenos que afetam a saúde humana e do meio ambiente.

O documentário “O Veneno está na Mesa“, realizado pelo cineasta brasileiro Silvio Tendler, faz parte da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Ele nos dá uma noção bem abrangente da gravidade do assunto, apontando os riscos ambientais e de saúde pública, além dos históricos interesses econômicos da iniciativa pública e privada neste setor.

Foto: Fabio Pozzebom/ABr

“O problema do mundo é que o barato está saindo caro, porque poderão ocorrer mudanças climáticas e dificuldades que irão afetar as populações dos países.” Essa é a questão, segundo Luiz Pinguelli Rosa ao falar sobre as inovações tecnológicas que não estão sendo utilizadas no Brasil. Quando questionado sobre os objetivos da Rio+20, o pesquisador contesta que “os objetivos da Rio+20 não serão rapidamente atingidos. Vai haver um período ainda para que essas tecnologias, que estão sendo discutidas, possam ser utilizadas, implantadas. A nossa ideia é que tecnologias que permitem evitar as emissões dos gases do efeito estufa venham a ser mais utilizadas e é essa a nossa intenção”.

Sobre a Conferência obter sucesso ou não,  o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas acredita que não vai ser um grande sucesso, mas espera que se avance alguma coisa em direção a um mundo um pouco mais equilibrado. Luiz Pinguelli Rosa acredita que o Brasil melhorou a sua situação quanto a pobreza nos últimos anos, com políticas sociais como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, etc. Segundo ele, isso contribui, mas há muito mais a fazer, porque as pessoas melhoraram de vida, mas ainda tem uma diferença enorme entre as condições de vida das classes média e alta e as da grande população.
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Luiz Pinguelli Rosa (foto) concedeu uma entrevista para a Revista IHU On-Line, por telefone e estará presente no IHU no próximo dia 23 de maio, onde abordará o tema “Rio + 20 e a questão das mudanças tecnológicas”. Para mais informações sobre o evento, acesse o sítio do IHU.

“Falar da questão ambiental não se resume a tratar apenas da preservação dos animais, dos rios, do ar, das florestas… Trata-se de falar da economia, das grandes corporações que influenciam e decidem as políticas relativas a esse campo”, disse Larissa Packer, na sua fala, no quadro do Ciclo de Palestras Rio+20: desafios e perspectivas.
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E pergunta: “Por que, 40 anos depois de Estocolmo e com os acordos subsequentes nos encontramos numa situação de fracasso em relação a todos eles?”. Porque, responde, “os acordos internacionais limitam-se a sugerir metas, mas não impõem mecanismos de cumprimento”, que implicariam em sanções impostas aos países descumpridores, como acontece, por exemplo, na Organização Mundial do Comércio (OMC).
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Larissa
destaca que o interesse sobre o meio ambiente é o fundamento do atual capitalismo. A economia assenta-se sobre o princípio da escassez dos recursos naturais. Há, portanto, uma corrida pela apropriação de recursos ainda não apropriados pelo mercado.
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Foto: Divulgação

Larissa aponta a existência de três correntes econômicas para lidar com a escassez. Uma primeira corrente propõe que a solução para a contradição entre crescimento e preservação passa pelo desenvolvimento tecnológico. Ou seja, a resolução passa pela tecnologia e não pela política, ou pela mudança de modos de produção e hábitos de consumo. Uma segunda corrente aposta na distribuição de propriedade sobre os bens. Tudo o que é comum é de ninguém. É preciso privatizar para cuidar. E uma terceira corrente defende que o crescimento econômico não é compatível com a preservação. O planeta impõe limites ao crescimento ilimitado. Esta corrente defende o decrescimento.
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As duas primeiras correntes são as dominantes. Elas impõem suas políticas desde o século XVIII, mais especificamente desde Estocolmo para cá nas discussões ambientais. As decisões políticas são tomadas por economistas ou em base aos argumentos econômicos liberais.
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No contexto do pressuposto de que tudo o que é escasso é caro, as grandes corporações (Monsanto, Syngenta…) e empresas (Petrobras…) correm atrás de novos recursos, até mesmo para obter lastro. O lastro não se dá mais primordialmente em base ao dólar, mas dos recursos naturais (florestas, ar…), o que explica a colocação em prática de iniciativas como a compra e sequestro de carbono, compra e venda do ar… A biodiversidade passa a ser incorporada como riqueza.
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“A economia verde não tem, portanto, nada de verde, mas tudo de cinzento”, referência à economia do petróleo, salienta a Larissa. A economia verde, uma das temáticas centrais da Rio+20, não passa, portanto, de um engodo.
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Larissa Ambrosino Packer
é assessora jurídica da Terra de Direitos, sediada em Curitiba, e integra a comissão organizadora da Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro.
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O Ciclo de Palestras Rio+20
: desafios e perspectivas é uma parceria entre o Cepat, o Instituto Humanitas UnisinosIHU e a Pontifícia Universidade do Paraná – PUCPR. Propõe-se a debater a questão através de um ciclo de palestras que possibilite compreender o que está envolvido na Conferência, desde sua formação histórica até os seus possíveis impactos no futuro do Planeta.
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Para maiores informações, consultar a programação completa no sítio do IHU.
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Por André Langer

Foto: Ruedi Suter, OnlineReports.ch

Ao comparar Belo Monte à Idade Média, Telma Monteiro (foto) explica que a Altamira de hoje, acuada pelas obras de Belo Monte, sofre a falta de estrutura de forma muito mais intensa do que antes de se pensar no projeto. “Prometer saneamento básico, água de qualidade, hospitais e escolas, infraestrutura urbana, são formas de se obter o poder. É o mesmo poder da Idade Média, em que os senhores feudais tinham as terras e exploravam os camponeses. Belo Monte é, aos olhos da população de Altamira e região, uma forma de rompimento com um período atrasado de ausência do Estado para uma nova era classificada de moderna, onde energia significa progresso”, disse na entrevista que concedeu, por e-mail, à IHU On-Line.
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“O governo mente quando diz que os projetos das usinas do rio Madeira, Santo Antônio e Jirau, e de Belo Monte no rio Xingu, foram alterados para reduzir os impactos socioambientais. O fato de diminuir o potencial das usinas não significa em hipótese nenhuma uma garantia de sustentabilidade nas respectivas regiões”, explica a pesquisadora. E critica: “Nesse clima de falta de disposição das autoridades brasileiras de rever o planejamento em que se induz a demanda de energia porque tem oferta e tem oferta porque expande a geração sem, no mínimo, estabelecer metas e compromisso com programas de eficiência, vai ficar muito difícil ouvirmos propostas de sustentabilidade energética na Rio+20.”
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Telma Monteiro é pesquisadora independente e estará novamente palestrando hoje (16/05), às 19h30min, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU. O tema a ser abordado desta vez será “Rio + 20 e a questão da matriz energética brasileira“. Para realizar a inscrição é necessário entrar no sítio do evento e preencher o documento. O investimento da palestra é de R$5,00 por aluno e R$10,00 por profissional.
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Confira a entrevista de Telma Monteiro para a edição 392 da Revista IHU On-Line. Belo Monte: “um conto de fada” disfarçado

Por Luana Taís Nyland

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