Hoje iniciamos uma série de entrevistas com os professores da Escola de Design Unisinos, para que todos conheçam melhor os nomes por trás desta grande instituição. A primeira “convidada” é Paula Visoná. Graduada em Moda pela Universidade de Caxias do Sul, atua profissionalmente como consultora de empresas nas áreas de desenvolvimento de coleções e pesquisa de tendências. Tem mestrado em Design Estratégico pela Unisinos, onde desenvolve investigações acerca de Estratégias para Inovar Bens de Uso, sendo um dos membros integrantes do Observatório de Design da Instituição.

1. Como enxergas o mercado do design no Brasil?
O mercado do design no Brasil é promissor. Temos muitas competências, tanto em nível mercadológico, quanto criativo e, também, didático – caso de escolas que se ocupam em construir e disseminar conhecimento sobre Design. O Brasil, com toda a sua diversidade, privilegia a busca por novas linguagens e, também, por processos novos processos de pesquisa e configuração de artefatos de design. Além disso, existe – em alguns territórios brasileiros – a preocupação de transformar o design em ferramenta de posicionamento estratégico nacional. No caso do design de moda, essa cultura já vem sendo construída a alguns anos, principalmente por estilistas e designers que conseguiram se libertar do estigma estético brasileiro para importação, e começaram a investir em investigações independentes. Esse perfil auto-referente é muito importante para construir caracterizações de um Design Brasileiro.
2. O que te atraiu para o mundo do design?
A minha formação é moda: Tecnólogo em Moda e Estilo. No curso, a questão design esteve sempre presente, visto que a moda é uma das áreas do design. Mas, estudar design vai além da moda, e foi exatamente isso que me atraiu. Outro fator muito importante tem a ver com o fato do design, para mim, funcionar como síntese. É como se o design me permitisse sintetizar vários conhecimentos através de seus processos. Não falo só dos objetos e artefatos que podem ser projetados, mas de todas as etapas que compreendem o fazer design. No meu caso, que estudo e trabalho com tendências, isso é absolutamente desafiador e importante.
3. Quais os objetivos do Design Mais, projeto coordenado por você?
O Design Mais é um projeto que visa, antes de mais nada, promover cultura de discussão em torno do Design e suas relações com outras áreas. O design é uma área que se alimenta e constrói a partir de vários conhecimentos. Para que esse entendimento seja propagado, é preciso gerar mecanismos de disseminação, ou seja, momentos em que seja possível criar relações de interface entre o design e outros conhecimentos. Nesse sentido, os debates promovidos através do projeto Design Mais buscam cumprir esse primeiro objetivo para, após, intensificar as relações entre os indivíduos – alunos, professores e comunidade geral – tendo o design como ponto de partida e convergência de análises.
Ao atingirmos esse objetivo, também proporcionamos às pessoas maior conhecimento sobre as diretrizes fundamentais da Escola de Design Unisinos – por excelência, uma Escola de Design Estratégico. Isso nos auxilia a construir um relacionamento social sólido, baseado na disseminação de conhecimento e no diálogo constante.
4. Qual é a melhor coisa de ser professora?
A melhor coisa de ser professora são os alunos! Sério: a troca com os alunos em sala de aula é absolutamente estimulante. Sei que estou ali para ensinar, mas, acho que eu acabo aprendendo mais do que alunos nas dinâmicas em classe. O fato é que, quanto mais argumento sobre um determinado assunto, mais clareza tenho sobre ele. Aí a contribuição dos alunos é dupla: tanto em por causa da função em si – dar aula – como pelas discussões – os insights são constantes. Outra coisa bacana de ser professora é o constante desafio: é preciso estudar para preparar as aulas, assim como, também é preciso dominar os assuntos. É um desafio constante, baseado na “reciclagem” também constante.
5. Além de dar aulas, és consultora de empresas. Como é migrar entre a vida acadêmica e o mundo corporativo?
Olha, na minha percepção, as duas coisas se complementam. Eu coloco em prática, no mercado, os assuntos que investigo enquanto acadêmica. Relacionar mundo corporativo e acadêmico não é algo tão comum no Brasil, mas é absolutamente comum em outras nações. Além disso, eu gosto das particularidades referentes aos universos distintos: o mundo acadêmico tem seus desafios, assim como o mundo corporativo tem os seus. O que a gente tem que fazer, penso eu, é construir pontes entre esses universos.
6. Quem são teus ídolos no design e na moda?
Sinceramente, não tenho ídolos. Acho que as pessoas que trabalham, tanto com design, como com moda, são profissionais, como outros quaisquer. Ok, eu gosto muito do trabalho do Ronaldo Fraga – muito mesmo – assim como eu gosto muito do trabalho da Vivienne Westwood. Gosto de como eles conseguem poetizar através dos objetos, como conseguem sintetizar um certo ânima coletivo através de seus trabalhos. Mas, nossa, tem muita gente boa que não é tão conhecida quanto esses dois casos que citei, e conseguem cumprir o mesmo desígnio.
7. Teus hobbies?
Eu adoro cinema, sempre! Pra ver qualquer coisa, mesmo. Na verdade, gosto muito de filmes, então, estou sempre comprando DVDs. Uso os filmes para várias coisas: para passar o tempo, para dar aulas, para relembrar experiências, para reunir amigos.
Mas, também gosto muito de ler. Tenho uma queda livre por romances históricos, tipo Memórias de Adriano, Memorial do Convento, dentre outros.
8. Se fosse dar um conselho para os jovens estudantes de Design, qual seria?
Ai, não sou muito boa em conselhos, mas, enfim, eu diria: faça Design, mesmo! Não apenas faça porque você acha diferente e interessante. Não, faça Design! Design vai muito além disso. Como eu disse, Design pode ser entendido como síntese, e, assim, se aproximar muito da poesia.