Margarida Graúdo – turma 2010 PPG Design Unisinos
The last but not least. Para a sexta-feira estavam planejados quatro programas de visitas técnicas: Amsterdam, Rotterdam, Delft & Den Haag e Delft& Leiden. Saiba mais sobre as empresas visitadas (http://www.iasdr2011.org/?id=3&sub=3).
Fiquei no grupo que visitaria os escritórios de Delft e Leiden. Nos encontraríamos às 9h30min, o que me deixou super feliz já que todos esses dias o congresso começava às 8h30min, horário que até uma professora de Taiwan, com quem conversei, reclamou. Acabei levando o maior susto pela manhã, pois o relógio não despertou. A lesada com sono acabou não concluindo a operação, acordei por sorte sozinha às 8h30min, mesmo assim foi uma correria. Isso provou que o sino da igreja que toca de 15 em 15 minutos em tons diferentes não perturba ninguém.
Banho para acordar, café para garantir um pouco de atenção, como desci mais tarde do que costumava, acabei encontrando com o professor Eduardo Romeiro da UFMG e com o pessoal de Pernambuco o que me tomou um tempo trocando algumas ideias. O professor Eduardo é designer industrial com mestrado e doutorado em engenharia de produção, possuindo uma visão de design diferente da nossa escola. Nossa discussão sobre o assunto começou quando ele me perguntou se tinha visto a palestra de uma inglesa sobre PMI, respondi que não, na verdade ele estava falando da palestra da Lucy Kimbell sobre Design Service. Isso é ou não é design? Dava para conversar o dia inteiro, mas como não tinha mais tempo, deu apenas para falar sobre o design como lógica de projetação, cultura e processo. Percebi que ele parou e me disse: “para mim o design tem um limite e fica difícil pensar fora desse limite”. Já mais que atrasada, ele se despede de mim: “Margarida, do Rio de Janeiro mora em Porto Alegre, estatística, trabalhou muitos anos em Marketing e faz Design Estratégico na Unisinos. Bom ter pessoas pensando na frente”. Do jeito que ele falou até parece que é muito mais velho que eu, porém deve ter a minha idade ou até mais novo. Achei engraçado eu estar pensando na frente, contudo fiquei com essa história de limite do design na cabeça.
Muito atrasada e o vento contra, literalmente, eu caminhava e parecia que ele me empurrava. Cheguei na faculdade de desenho industrial botando os bofes pela boca, mas avistei um ônibus de turismo que me deu uma esperança de ainda conseguir me juntar ao grupo. Pensei que já estivessem dentro do ônibus, porém estavam todos em uma sala esperando.
A primeira empresa a visitarmos foi a Flex Innovationlab (www.flextheinnovationlab.com) que fica dentro do próprio campus da TUDelft. A Flex foi criada em 1989 e está no campus da universidade, no prédio que parece um container, há 10 anos.
Antes que eu perguntasse sobre o que podia e não fotografar, Yako (acho que é assim). o gerente que nos recebeu já foi avisando que no andar de cima e no de baixo não poderíamos fotografar, o japonês dentro de mim teve que se comportar.
Era um grupo multicultural, tínhamos pessoas de Taiwan, China, Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Suécia, México, a menina da Turquia e um rapaz do Brasil, além de mim.
Quem fez a apresentação foi a Abke, gerente da Flex, que falou um pouco da história sobre a filosofia, produtos, clientes e seus casos de sucesso da empresa. A empresa tem como lema criar uma nova realidade e para isso apresentou o case de uma espécie de smooth que com a sua introdução gerou uma nova fábrica, empregos, distribuição, etc.
Para colaborar com este processo, a Flex utiliza uma combinação de pessoas em pequenos grupos que competem entre si com o apoio de um jogo para tornar o processo divertido e criativo, na geração de ideias em um tempo curto que depois serão prototipadas no workshop.
O jogo é dividido em duas etapas, uma de pesquisa e análise, e outra de visualização das ideias através de sketches. Ao longo do jogo as pessoas vão respondendo perguntas que estão baseadas no briefing do projeto.
Depois das ideias geradas, se vai para o wokshop que se trata neste caso de uma oficina com todos os tipos de equipamentos para a criação dos protótipos em 3D. Pela minha experiência, no Brasil geralmente esta etapa era feita fora do escritório de Design. A Flex é um escritório full service de desing industrial que tem como objetivo final e muito forte o produto.
Depois da apresentação visitamos o escritório onde os colaboradores são divididos em times e ilhas de trabalho cada uma com uma sala de reunião. No andar de baixo fica o workshop onde eu fiquei impressionada com a quantidade de equipamentos e atividades. Nada de fotos, sorry! Ao final da visita nos ofereceram um almoço. Perguntei se eles faziam comida, pois existe uma cozinha super bacana e bem equipada. Ela me respondeu que cada dia um fica responsável por arrumar a mesa e os sanduíches. Já pensou comer sanduíches todos os dias. Eles são uma delícia e o simplesmente maravilhoso, mas vamos combinar que um pratinho quente tem seu valor. Além do mais, eles bem podiam testar na prática as ideias criadas para a Tefal que é um de seus clientes.
Almoçamos, conversamos e foi a hora de irmos para Leiden, cidade próxima de Delft, para conhecer a NPK (www.npkdesign.com)
Leiden é a cidade onde nasceu o pintor Rembrandt, os canais são mais largos e me pareceu maior que Delft. O escritório da NPK fica bem perto de onde Rembrandt nasceu e instalado em um prédio maravilhoso do século 17 que naquele tempo serviu como uma espécie de forte. Fomos recebidos pelo Wolfram Peters, o P da NPK. O N e o K já não são mais sócios da empresa. Depois chegou o outro sócio, o Jos Oberdorf, estudou na TUDelft .Acho que todos os escritórios visitados os sócios são ex-TUDelft.
Diferente da Flex, na NPK o pensamento estratégico, processo e a gestão do design, o gerenciamento do portfólio, a inovação estão mais presentes e não é apenas nas telas de powerpoint, dá para perceber uma filosofia e principalmente na fala do sócio Jos, que questiona alguns posicionamentos e limites que impõe ao design, os estrelismos, o foco no produto, o modo de pensar da TUDelft, o distanciamento de empresas e universidades. A NPK possui cerificações de processos e gestão de conhecimento.
Também visitamos os locais de trabalho e o workshop que funciona nas antigas cavalariças. Para terminar fizeram uma happy hour com queijos, vinho e claro, Heineken no formato idealizado por eles.
Foi muito interessante esta parte da conferência e como muitas das questões levantadas são pertinentes e iguais as do Brasil, por exemplo, como lidar com os chineses, como fazer negócios internacionais, a importância da inovação, como vender inovação para os clientes. Também quando o Wolfram falou que a hora de uma pessoa na Europa é muito cara e que eles não tinham tempo para criatividade, me lembrei do trabalho do prof. Carlos Teixeira das Parsons e seu estudo sobre escritórios de Design em mercados emergentes e como eles vem crescendo. Acho que temos uma boa oportunidade de pensarmos na frente.
Talvez tenha escrito demais, mas ao longo desses cinco dias achei importante dividir com vocês detalhes que me pareceram significativos e enriquecedores. Quem não estiver cansado e quiser saber mais, estarei de volta ao Brasil na próxima semana e conversamos pessoalmente. Valeu!
























