Profa Ione e seus relatos!
4º FORUM INTERNACIONAL DE DESIGN COMO PROCESSO
3º DIA: 21.09.12
O dia hoje começa mais cedo: às 9h. Começamos muito bem, com o Gui Bonsiepe. Pesquisador maduro, inteligente, de fala mansa, de fluente e claro espanhol e de muita coragem. Fez uma crítica bem abrangente, tipo metralhadora giratória, de conceitos, metodologias e formação praticados. Mas, salvas as vítimas, o saldo é muito bom pra estimular a discussão de área.
Keynote speaker: Gui Bonsiepe. Pesquisador no Brasil, Argentina, México, Chile e Alemanha.
O título da palestra: “Tendências e contra-tendências no ensino do design”. Alguns destaques: Situação polêmica do design: cenário brasileiro com investimentos, cenário internacional em crise; Tendências principais: 1. Design orientado a criar uma sociedade melhor- 2. Design ecológico- 3. Life style design (design festa); Tendências secundárias: 4. Design de autor- 5. Design arte (transdisciplinar arte e design)- 6. Design artesanal (etno)- 7. Design estratégico- 8. Design open source- 9. Design “inteligente”- 10. Design pesquisa- 11. Design promoção e 12. Design experimento; Os cavaleiros do Apocalipse a rondar o design: 1. A crise ambiental, 2. A revolução biogenética, 3. Os desequilíbrios no sistema, 4. O crescimento explosivo da exclusão e 5. Fatos como o desmatamento, monoculturas, destruição de recursos hídricos etc; Mudanças nas últimas décadas: Gradual erosão do espaço público, Atrofia dos interesses gerais e Esvaziamento do conceito de democracia. Há vozes pró-domínio público como espaço democrático. Outros destaques ainda: Design não pode ser asséptico, deve ser político; Sair da textualização para o contexto social, Olhar com atenção crítica marketing, branding e competitividade (melhor seria falar de colaboração e solidariedade, pode-se interpretar); Evitar a Inovação como valor em si; Atenção para o design sem designers e por uma cultura de projeto dominante na área; Enfatizou cuidados com o Emotion, Thinking e mostrou-se esperançoso com os desdobramentos do Design de Experiência.
Ponto forte da intervenção do professor: uma coleção de imagens de obras , de autoria anônima ou de renomados designers, a exemplificar as diversas tendências do design hoje. Uma beleza! Olha, não estou sendo boazinha. Foi mesmo muito qualificada a relação entre o tipo de design e a referência pela imagem.
Keynote speaker: Silvia Fernández. Universidad Nacional de La Plata. Argentina.
Título da palestra: “Ensino do design em novo enfoque” Alguns destaques:
Preocupação com o ensino magistral em design, com o protagonismo exclusivo do professor; Novas formas pelo uso das tecnologias; Novo modelo: aprendizagem baseada em problemas ou projeto complexo, proposto pelo professor; Aprendizagem autônoma e colaborativa para formar o pensamento projetivo; Apresentação da experiência na sua Universidade; Indicação de audiovisual de mais ou menos duas horas, sobre experiências de ensino (ela percorreu cerca de duas dezenas de universidades em diferentes países e continentes, estudando o assunto): www.educationprohibida.com.
Houve sessão matinal de apresentação de trabalhos, no mesmo modelo. Das 14h às 17h, idem. Destaque: Como havia muitos trabalhos dos italianos (delegação respeitável) de Torino e de Milão, foi possível observar a qualidade visual das apresentações (poucos tropeços com diagramas ilegíveis), tratamento metodológico qualificado e a clara identificação de que existe uma escola de pensamento científico que os agrega. Suas metodologias dialogam, seus conceitos também, a par de boa diferenciação na execução de seus projetos. Foram excelente companhia, no conjunto dos trabalhos.
Dia também cansativo, com a vantagem de o calor infernal- que, surpreendentemente, dizem os mineiros, apareceu por aqui nessa época, ter dado uma trégua. Aliás, detalhe atroz: a impressão nos táxis e espaços gastronômicos é de que os mineiros “odeiam” ar condicionado. O saguão do hotel era o primeiro estágio do inferno de Dante; os táxis, o segundo. Pelo menos, escapamos do terceiro. Engraçadinha, eu!!!!!
No calor das discussões, inspirei-me para escrever o texto que compartilho com vocês, sem edição. O título: “Um painel diversificado de pontos de vista e de práticas de design”. A vantagem de mexer com as palavras é fazer render o produto. Vamos lá.
Uma área em ebulição, debatendo-se no dilema entre duas grandes tarefas: dar identidade ao campo do design e atender rapidamente às demandas de formação de designers no campo acadêmico, o que acelera, nem sempre positivamente o processo. Ouviu-se muito sobre a desqualificação dos processos formativos em todos os níveis: dos tecnológicos à Pós-Graduação stricto sensu.
As posições são arraigadas, fortes, mas não fechadas ao diálogo. Os projetistas postulam a fuga da textualidade, da discursividade; os acadêmicos esforçam-se em aplicar a diferentes objetos as suas formulações teórico-metodológicas; todos ensaiam substituir as palavras pelas imagens na exposição de seus argumentos mais refinados ou práticos, tarefa difícil; algumas manifestações de intolerância com a mediocridade ou mesmice dos projetos de TCC, por exemplo, atribuídas em parte à ditadura das metodologias. No que concerne às formas de expressão, talvez seja a “maldição das linguagens” a se abater sobre os pesquisadores ou profissionais da área, ou seja, produtos ou serviços como falar deles sem a mediação das linguagens, dentre as quais a imagética é uma delas e,mais, como encarar a mediação pelas tecnologias (midiatização), todas elas a instalar níveis de metalinguagem traditiva ou crítica que têm como resultado tornar cada vez mais distante o acesso “à coisa em si” (sem viés fenomenológico, por favor).
Outras questões desafiantes: teorizar para transformar, teorizar para tornar erudito e refinado tudo o que se pratica, teorizar para descobrir, teorizar para descrever ou, senso comum, interpretar, entre tantas outras. Aliás, via de regra pergunta-se pouco, ou porque se tem excesso de certezas, ou porque o mundo não nos desafia. O fazer do pesquisador é adubado pela dúvida, pela curiosidade e pela ousadia. De certa forma, percebe-se: que as referências científicas são uma moldura que nem sempre contamina nem se confunde com a tela que enquadra. Fica, portanto, expletiva; que as teorias não respondem à pretendida capacidade heurística o que lhes conferiria total relevância. Portanto, usá-las ou não é questão de estilo ou oportunidade; que a imersão nos casos, nos produtos e nos processos, para além de descrevê-los, não produzem alterações significativas nas matérias teóricas ou metodológicas. Não seria de esperar que as práticas empírico-indutivas, ao longo do tempo, produzissem teorias, ou contestassem as já formuladas.
De qualquer forma, são questões que estarão presentes nas discussões de área, todos cientes de que o embate é benvindo. Mesmo áreas historicamente consolidadas, não podem “estar postas em sossego, qual Inês de Castro” (Camões lírico, presente.) Fiquei motivada a provocar os colegas da linha de pesquisa Processos de Projeto a liderar essa discussão no nosso Programa. Que tal a proposta¿
Bem, acabou a inspiração e bateu a preguiça.
Uma boa notícia para os nossos mestrandos: os colegas de vocês se saíram muito bem nas apresentações. Tiveram desenvoltura na fala, mostraram conhecimento sobre o que apresentavam, enfrentaram as perguntas e foram simples em suas atitudes. É sinal que de que estamos no caminho certo. Nós, orientadores, tiramos “uma lasquinha” nessa conquista. Vale o esforço, nosso coordenador; vale a nossa dedicação, queridos colegas pesquisadores!
Última edição: Fait divers
- Paulinho , todo pimpão, no melhor de seus trajes de grife, rumo ao jantar oficial da Rede. Só para convidados Vips. Paulinho é um dos eleitos.
- Os outros, ficaram sentadas na guia da calçada , olhando e saboreando lingüiça com polenta. (rsrsrsrsrsrsrrsrsrrsr).
- Antes de consumar o ato da lingüiça, uma luz. Vamos todos, com o pessoal de Brasília, Maranhão, Minas, Rio e São Paulo, à Pizzaria Sur. Massa fina, deliciosa, crocante; recheio premiado. Pedimos a premiada 2008 e a premiada 2010. Atenção: pizza retangular. Delícia e vários gramas acrescentados ao peso. Noite de planejamento de projetos conjuntos e muita risada. De quebra, a plugada Karine torpedou o Paulinho, dizendo das delícias da noite na Pizzaria. A ver o que conta na volta do programa oficial.
- Carlo e uma de suas aventuras fantásticas. Comprou o livro do Bonsiepe, o primeiro, em italiano, no sebo, no México. Pode!!! Não bastasse teve o livro Teoria e Pratica del Disegno Industriale, 1975, autografado em Belô, pelo autor, em 2012. Fantástico!
- Segredos de Karine, revelados por espiões da PUC-Rio. Era a queridinha da orientadora (por méritos próprios, é claro). Mas os invejosos da vez roeram todas as unhas dos pés e das mãos. Intoleráveis essa preferências, mesmo que justificadas pelas qualidades da nossa colega. Imagem: séria, compenetrada, organizada e organizadora e “Caxias”. Belos atributos!!!
Voltarei ainda uma vez. Inté!