Postado por Filipe Campelo Em 2 - novembro - 2011 3 Comentários

Margarida Graúdo – turma 2010 PPG Design Unisinos

Primeiro dia da conferência IASDR e logo depois das duas palestras iniciais, aconteceria na sala A o bloco de apresentações de Design & Emotion, onde eu seria a 3ª pessoa a apresentar, logo depois de Pierre Lévy. Acordei cedo, me arrumei e tomando café me lembrei de que no Brasil hoje é dia de Todos os Santos. Aí me veio a ideia de chamá-los para me ajudar na solução de como ficar calma na hora da apresentação, conseguir passar o recado e de representar meus colegas da melhor forma. Todos os Santos com suas diferentes perspectivas e diferentes competências na solução de problemas. Isso tem tudo a ver com Design Estratégico. Então depois de rezar e mentalizar coisas boas, lá fui eu caminhando para a TUDelft.

Com a luz do dia e o reconhecimento do caminho do dia anterior, ficou mais fácil localizar o Aula Congress Center.

A Conferência começou com uma homenagem ao Prof Kees Overbeeke falecido em meados de outubro quando se preparava para embarcar para fazer uma palestra inicial no CIPED em Lisboa.

A palestra de abertura foi de Paul Garien, ex aluno da TUDelft e Head of Design Strategy e Design Innovation da Philips, que falou um pouco sobre o processo de inovação e transformação da Philips, uma linha menos acadêmica mas interessante.

Logo após veio a palestra de Kristina Höök, cujo título era “Move that body! Involving users emotionally, bodily and socially”. Kristina trabalha que trabalha há mais de 10 anos em soluções que provocam a interação do corpo e da emoção, o mais engraçado foi ela sugerindo que nos movimentássemos para provocar uma emoção positiva e dizendo “Eu sei que vocês são acadêmicos e que isto é embaraçoso, mas façam”. Ela trabalha com soluções que suprem a falta de atenção do homem contemporâneo com seu corpo e seus sinais de estresse entre outros problemas.

Logo depois da palestra teríamos um break e começariam as apresentações dos artigos. Só peguei uma água e fui procurar a sala A já que precisava chegar com 15 minutos de antecedência para  me apresentar ao presidente da sessão, baixar e checar a apresentação. Juro que me assustei com a dimensão da sala A e maior susto levei quando o Donald Norman entrou na sala. Eu estava esperando o Pierre Lévy que não apareceu, quem apresentou foi o seu orientando. Faltando 5 minutos para começar, surge uma voz de mulher nada feminina que mais parecia uma locutora de prisão ou de campo de concentração. Juro que não entendi nada das duas primeiras apresentações não só por que já estava pensando na minha vez, mas também não entendia a conexão com a emoção. Foi justamente esse o ponto do Norman para o primeiro apresentador. O Norman estava sentado lá em cima, sacudia negativamente a cabeça e quando teve oportunidade falou para o rapaz com nome russo, mas que é de um instituto de tecnologia do Japão: “Emoção? O que é emoção? Isso que você apresentou não é emoção! Use outro nome!”. Ai meu Deus! A segunda apresentação de artigo foi feita por um rapaz da TUDelft e que tinha como outros autores o Pierre Lévy e o falecido Overbeeke. Durante a apresentação do rapaz, o Donald Norman continuava balançando a cabeça de forma negativa só que dessa vez mais intensa. Nos 5 minutos de pergunta, o Norman falou o nome de uma pessoa que não entendi e perguntou para o rapaz se conhecia a sua pesquisa, o rapaz disse que não. Aí veio a bomba: “O que você está pesquisando não é novidade, pois ele já pesquisou há mais de 15 anos e está muito mais avançado”. Nessa hora o Overbeeke virou no caixão e eu pensei: “Calma Margarida! Seja você mesma, faça sua apresentação, apresente os seus pontos”.

Lá fui eu para frente com microfone de Madonna e sem cortina de fumaça. Me lembro de alguns rostos que estavam na sala, reconheci um grupo que estava no restaurante no dia anterior sinal que ainda era eu e que o pânico não tomava conta de mim. Fiz a apresentação cuidando do tempo mas sem olhar para o relógio, foquei no método e nos resultados, acho que no final corri um pouco.  Duas pessoas fizeram perguntas, uma que não entendia o açúcar como uma commodity e outra como as informações poderiam ajudar a projetar o contexto. O presidente da sessão, que é um designer industrial, colocou mais sua surpresa de estar vendo muita pesquisa relacionada à área de alimentação. E o Norman nada. Ao sair perguntei: “Professor, nenhum ponto sobre minha apresentação?”. Então ele respondeu: Não, seu artigo estava muito bom”. Como diz Desmet que não existe produto emocionalmente neutro, se estivesse ruim o homem tinha me detonado também. Algumas pessoas vieram me procurar para falar sobre o artigo, uma orientanda do Desmet, uma estudante da Alemanha e uma professora de uma universidade nova da Argentina, chamada Universidade da Terra do Fogo. Se eu já demorei a chegar na Holanda, imagine essa mulher. Saí com o certificado com o nome do Yudi , nosso primeiro autor, mas no resumo aparecem todos os nossos nomes. Muito engraçado o presidente Finlandês falando o meu nome.

Com a história da apresentação não tinha me organizado para assistir os demais artigos, critério de seleção assistir os artigos que eram indicados com preferidos dos revisores. Voltei para a sala A onde o Desmet iria apresentar. Cheguei atrasada para o início da sessão, um japonês já tinha iniciado a apresentação. Sem ainda olhar a apresentação e me ajeitando na cadeira, escutava o japonês repetindo a mesma palavra que eu imaginava que fosse “cheers” pois o tema continuava Design e Emoção. Foi ai que ao olhar a apresentação, percebi que na verdade a palavra era “chair”. Como cheguei atrasada não foi só a palavra chair que não entendi mas também a apresentação do método, vi que era quantitativo.  Lá fui eu tentar ver uma apresentação na área de sustentabilidade e que também era indicada como preferida, quando cheguei na sala G a palestra já tinha começado, mas acho que entendi melhor que as outras. Um professor com nome espanhol mas da TUDelft apresentava calmante e de forma clara a sustentabilidade como direcionador do Design e revendo alguns conceitos e suas definições. Lá fui eu correndo de volta para a Sala A e agora um chinês falava e eu não entendia nada. Só percebia que era uma pesquisa quantitativa.

O Desmet não trouxe muita novidade e apresentou exemplos de produtos e atividades para alegria e bem estar das pessoas. Coisas como aquelas fichinhas coloridas que se não me engano já tinha visto nas aulas do prof Filipe. Mais uma apresentação e me toquei que estava cansada e nada mais entrava na minha cabeça, claro que o Desmet falou coisas interessantes mas não contava com ajuda do computador que tinha acabado a bateria e de uma caneta para escrever as frases de me impactavam por alguns segundos porém não grudavam na minha cabeça.  Mensagem enviada pelo cérebro: abortar a missão de assistir o terceiro e último bloco que nem tinha asterisco azul que indicava as preferências dos revisores. Pois então aqui estou eu no hotel finalizando meu relato do dia de hoje e com uma sensação muito boa desde ontem, de que não só que estar participando desta conferência está valendo a pena, mas que todo o caminho até aqui e o que está por vir estão valendo muito a pena.

Obrigada a Todos os Santos e todas as pessoas queridas que mandaram mensagens e ficaram na torcida por hoje.

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3 Respostas

  1. Leandro Tonetto disse:

    Que legal, Margarida! Parabéns! Agora você pode descansar e aproveitar Delft.

  2. Paulo disse:

    Ae, Margarida! Parabéns pra nós! Não tirou uma foto com o Norman? Não acredito…

  3. Margarida Graúdo disse:

    Paulo, Eu tentei mas o cara é muito estrela. Tonetto, lembro de vc todos os dias por aqui. Bjos em todos.


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