Coisa boa é poder trazer sempre novidades legais para os alunos da Escola de Design Unisinos. A novidade legal dessa semana é a aula que a argentina Julieta Puhl vai dar para os alunos da Especialização em Design de Moda nesta quinta e sexta-feira (18 e 19/8).
Para quem não conhece, a Julieta é graduada em Design de Indumentária pela Faculdade de Arquitetura, Design e Urbanismo da Universidade de Buenos Aires, é uma das investigadoras permanentes do Observatório de Tendências do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial da Argentina. No Observatório, Julieta atua como pesquisadora de tendências para produtos, focando suas investigações na área de Macroconceitos para a Moda. Além disso, é uma das pesquisadoras responsáveis pelos projetos Mapa de Design Argentino e Projeto Por La Calle – Circuitos de Design. Quem não conhece os projetos, clica aqui neste vídeo. Tenho certeza que vocês ficarão encantados!
Mas esta não é a primeira vez dela por aqui. Ano passado ela participou como debatedora do Design Mais e ministrou dois workshops de Coolhunting na EDU. Mais do que bacana, né?
Esta entrevista foi dada pela Julieta no ano passado para divulgação do workshop de Coolhunting. É bacana para vermos um pouquinho do que ela pensa sobre o assunto:
Será que você seria um bom Coolhunter? Você está atento a tudo o que se passa no mundo? Já conseguiu captar algo, pensar que viraria uma tendência e viu isto se concretizar? Se a resposta é sim, parabéns, segundo a pesquisadora, estilista e coolhunter argentina Julieta Puhl você seria um bom caçador de tendências. Julieta, que desenvolve também o projeto Por La calle, virá a Porto Alegre apresentar o workshop Cool Hunting – Caçando Tendências. Na companhia do colega Laureano Mon, Julieta concedeu uma entrevista com exclusividade, onde não só fala sobre coolhunting, mas faz uma reflexão bacana sobre como a profissão se desenvolve.
Que olhar é necessário para observar o mercado de moda?
É preciso treinar a observação, ter um olhar aguçado para captar tudo o que começa ou o novo com algo que nos chama a atenção ou dá um indício de mudança.
Para isto, é preciso ter um profundo conhecimento do contexto para saber o que é realmente novo ou o que deixou de existir ou se tornou uma moda massiva. As motivações de consumo estão influenciadas pela cultura, marcas, design, estética, e pelos meios de comunicação.
Os coolhunters não analisam: seu trabalho se baseia especialmente na observação, são antenas sensíveis. Eles são uma espécie de espiões sociais. Observar as pessoas inovadoras, que se consideram diferentes e fazem a diferença, esses que depois serão seguidos pela massa de consumidores. Um coolhunter é aquele que está atento aos sinais e petições que o mercado potencial envia; é saber transformá-las e adaptá-las ao mundo da moda ou o consumo. Seu principal objetivo: detectar as necessidades que a sociedade demanda. Eles jamais perdem detalhes do que acontece ao seu redor e se caracterizam por uma ampla visão de futuro, se inspiram com toda a música, tecnologia, literatura, etc.
Como se descobrem os Coolhunters?
Coolhunting é inovação, abre novos horizontes, novas oportunidades e é, sem dúvida, uma ferramenta confiável e exitosa. O termo coolhunter foi criado no fim dos anos 90 pela revista New Yorker e se refere a pessoas visionárias que sabem quais serão as próximas tendências que podem vir ou serão adotadas pelas pessoas, determinadas mudanças na esfera social que podem supor novas necessidades dos consumidores, que em muitas oportunidades não são formuladas explicitamente por eles.
Neste âmbito confluem várias especialidades, como marketing, publicidade, psicologia social, sociologia, antropologia, etnologia e a criatividade dos designers. Hoje é uma ferramenta fundamental que o estilista precisa para interpretação do mundo e o que virá a ser.
Como nasce uma tendência? Da rua para os catálogos ou ao contrário?
As tendências surgem e se desenvolvem em um contexto social e espaço-temporal concreto. É preciso interpretar as grandes tendências globais, reinterpretá-las e aplicá-las sob um caráter social.
Muitas vezes o consumidor recombina e busca novos significados nas propostas da temporada. Estas novas maneiras de vestir e recombinar os estilos são uma das principais fontes de inspiração para o mundo do design.
A rua é heterogênea, inovadora, imprevisível e original. Desta maneira, os estilistas captam estas mensagens, utilizando esta informação para desenvolver suas novas coleções.
Quem vem também para dar aula na Especialização, mas mais adiante, é o Laureano Mon, que também é pesquisador do Mapa de Design Argentino e Projeto Por La Calle. Aguardem!
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